Stuart Mill e Hannah Arendt sobre a Espontaneidade Individual
DOI:
https://doi.org/10.4013/con.2026.221.06%20Palavras-chave:
Espontaneidade. Liberdade. Hannah Arendt. John Stuart Mill.Resumo
Este artigo examina as concepções de espontaneidade em John Stuart Mill e Hannah Arendt, defendendo que, em ambos, ela constitui elemento essencial da liberdade de ação e, consequentemente, da vida boa e da renovação do mundo — ainda que de modos distintos. Em Mill, também tratada sob os termos de originalidade ou individualidade, a espontaneidade depende das liberdades básicas que permitem seu aparecimento; por meio delas, desenvolvem-se as capacidades superiores, necessárias tanto à felicidade individual quanto ao progresso da sociedade. Em Arendt, a espontaneidade coincide com a própria liberdade, que se realiza na ação e no discurso no espaço político. Por meio da ação, o ser humano inaugura o novo e revela quem é diante dos outros, vivendo a vida política — que, para a autora, constitui a vida propriamente humana. O artigo examina ainda os limites de cada concepção e sua possível complementaridade: Mill, ao conceber a liberdade sobretudo em termos negativos e civis, enfatiza a esfera individual como espaço da espontaneidade; Arendt, por sua vez, a restringe ao âmbito político, que exige condições de ação que a modernidade tende a destruir. Em conjunto, porém, ambos evidenciam a centralidade da liberdade e a dignidade da ação e da singularidade, especialmente diante dos perigos modernos — como a uniformização do comportamento e da opinião — que ameaçam a espontaneidade e, com ela, a possibilidade de uma vida plena e da renovação do mundo.
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