Os limites do senso comum
uma crítica naturalista ao senso comum na filosofia da consciência
DOI:
https://doi.org/10.4013/con.2025.213.15Palavras-chave:
Senso comum. Filosofia da consciência. Naturalismo. Filosofia experimental.Resumo
Este artigo oferece uma crítica metodológica ao uso material de experimentos de pensamento e do senso comum como evidência na filosofia da consciência. Para tanto, utilizarei o artigo de Farkas (2013) como estudo de caso. Argumento que esses tipos de evidências, quando usados para sustentar teses metafísicas sobre a natureza dos estados conscientes, baseiam-se em julgamentos epistemicamente instáveis e que carecem de fundamentação empírica. Com base em descobertas recentes da filosofia experimental e da psicologia social, proponho uma posição restricionista moderada, isto é, embora não rejeitemos o método dos casos de forma cabal, devemos suspender o juízo sobre conclusões derivadas de cenários remotos, particularmente em domínios nos quais as respostas intuitivas têm se mostrado altamente variáveis e culturalmente contingentes. Além disso, introduzo uma distinção entre senso comum objetivo e senso comum hipotético, argumentando que o apelo de Farkas à prática linguística do senso comum incorre em um erro. O estudo de caso serve para ilustrar preocupações mais amplas sobre o papel evidencial de intuição a priori e do senso comum na teorização sobre a consciência. Concluo que é necessária cautela metodológica no uso de experimentos de pensamento materiais e do senso comum e que trabalhos futuros devem priorizar abordagens empiricamente constrangidas.
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