Autonomia e confiança: uma aproximação entre bioética e epistemologia do testemunho

Autores

  • Patrícia Ketzer (PUCRS e UPF) PUCRS e UPF

Palavras-chave:

Autonomia, Confiança, Bioética, Epistemologia, Testemunho.

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo analisar o conceito de confiança, como vêm sendo concebido na Filosofia, realizando uma aproximação entre seu uso na Bioética e na Epistemologia do Testemunho. Para tal, iremos apresentar a forma como o conceito é compreendido em ambas as áreas, focando, principalmente, na aparente tensão entre autonomia e confiança. Autonomia é um conceito caro para a Filosofia, desde o Iluminismo, em função disso relações de confiança foram negligenciadas nos debates filosóficos, por se considerar que autonomia é incompatível com confiança. No decorrer do artigo, pretendemos explicitar que, tanto em Bioética como em Epistemologia, confiança não precisa anular autonomia. Ambas podem ser complementares, desde que revisemos nosso modo de compreender autonomia, não reduzindo-a à independência. E, que não banalizemos o conceito de confiança a uma relação de ingenuidade e credulidade completa. Confiar pressupõe vulnerabilidade, mas apesar disso, raras vezes concedemos confiança sem avaliação da fidedignidade do confiado. Sendo assim, confiança não é uma relação irrestrita, cega, mas uma relação de três partes, na qual há avaliação da competência e honestidade antes da concessão de autoridade. Tanto em Bioética como em Epistemologia o conceito de confiança foi negligenciado em prol do conceito de autonomia, mas é possível compreender ambos como complementares.

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Publicado

2015-09-08

Edição

Seção

Artigos