v. 10 n. 25 (2021): Do medo das doenças à morte coletiva

Retroescavadeira abre vala coletiva em cemitério público na zona oeste de Manaus , Foto de Michael Dantas/AFP, 21 de abril de 2020

Do ponto de vista individual, as doenças e as epidemias são tanto fenômenos biológicos, que modificam o organismo, quanto sociais, que interferem na existência humana.  No aspecto coletivo, as doenças e as epidemias são fenômenos que provocam reações em defesa da vida como espécie e da sociedade. Desta maneira, a doença é ao mesmo tempo processo natural e sociocultural.

 Um antigo diálogo com o medo sempre uniu as pessoas consideradas individualmente, pertencentes a uma comunidade ou a civilização inteira. Doenças como lepra, peste e tuberculose são evidências históricas geradoras de medo coletivo. Hoje, um mesmo medo congrega as pessoas.  Enquanto a ciência se esforça na pesquisa de uma vacina ou de um fármaco antiviral, o vírus COVID19 se espalha, causando mortes e sofrimento, da mesma maneira em que em épocas pregressas houve o acometimento de jovens na gripe espanhola, as trágicas sequelas da poliomielite, a gripe H1N1 e os desdobramentos da SIDA.

Essas doenças são consideradas eventos naturais e sociais que podem interferir em várias áreas, seja na biologia, demografia, economia e no direito, mas que a historiografia pouco ou não, suficientemente se ocupou. O motivo talvez seja que o esforço de tornar os eventos históricos compreensíveis e racionais venha a se defrontar com situações inesperadas que são as epidemias, e que são acompanhadas por questionamentos, angústia e medo.

Esse dossiê, é mais um esforço de trazer à luz da interpretação o fenômeno do medo das doenças.

Publicado: 2021-08-04

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