As favelas nas intrigas do telejornal: o caso do Parceiros do MGTV

Autores

  • Bruno Souza Leal Universidade Federal de Minas Gerais
  • Pedro Lucchesi Loures UFMG

DOI:

https://doi.org/10.4013/fem.2018.201.05

Resumo

Este artigo desenvolve um exercício analítico sobre a identidade de um telejornal, a partir de um duplo movimento de aproximação. Primeiro, promove uma caracterização geral da primeira – e, até 2016, única – edição do quadro Parceiros do MGTV, da TV Globo de Belo Horizonte, incluindo dados gerais sobre temáticas e escolhas editoriais, confrontando-o com modos recorrentes de informar sobre as favelas no jornalismo brasileiro. Em seguida, observamos mais atentamente as narrativas de três das reportagens exibidas pelo quadro. O movimento complementar entre as escalas macro e micro envolve uma articulação metodológica entre análises de conteúdo e textual e permite ver que o esforço de inovação do quadro foi contrabalançado pelo modo recorrente de narrar do telejornal, o que fez com que as favelas emergissem nessas narrativas como que em oposição (ou resistência) ao próprio MGTV. Com isso, o telejornal passa a ser visto como um produto cuja identidade, vista para além da noção de linha editorial, se apresenta de modo tensionado e clivado internamente.

Palavras-chave: telejornalismo, narrativa, favela.

Biografia do Autor

Bruno Souza Leal, Universidade Federal de Minas Gerais

Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 é pesquisador permanente do PPGCOM/UFMG, na linha de pesquisa "Textualidades midiáticas". Coordena o Núcleo de Estudos Tramas Comunicacionais: Narrativa e Experiência, tendo integrado o NUH - Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG e os grupos de pesquisa Poéticas da Experiência e Gris/UFMG, Seus trabalhos compreendem pesquisas sobre o jornalismo, a narrativa, a homocultura, a experiência estética e a televisão. Possui graduação em Comunicação Social, mestrado e doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais e pós-doutorado em Ciências da Comunicação pela Unisinos. Foi presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura - Abeh (2004/2006), coordenador do curso de graduação e da Especialização em Comunicação/UFMG e coordenador do PPGCOM/UFMG (biênio 2008-2010). Atualmente, é pesquisador do CNPq e integra o Programa Pesquisador Mineiro (Fapemig).

Pedro Lucchesi Loures, UFMG

Pedro Lucchesi Loures é jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos Tramas Comunicacionais: Narrativa e Experiência/UFMG

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Publicado

2018-06-21

Edição

Seção

Artigos de Temáticas Livres