O LOBO DE WALL STREET E A LEI
Entre a Glorificação da Fraude e o Silêncio Jurídico
Palavras-chave:
Direito Penal Econômico. Financeirização. Criminalidade empresarial. Compliance. Cinema e Direito.Resumo
O presente artigo propõe uma leitura crítica do filme O Lobo de Wall Street, articulando os elementos narrativos da obra com a dogmática do Direito Penal Econômico e a teoria crítica da financeirização. Parte-se da figura de Jordan Belfort como símbolo do sujeito empresarial financeirizado, cuja trajetória revela a fusão entre práticas criminosas e racionalidade de mercado. Através da análise das condutas ilícitas retratadas — como fraude, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e evasão fiscal — e dos mecanismos de controle jurídico (compliance, governança, responsabilização penal), demonstra-se a fragilidade estrutural do Direito frente à criminalidade de elite. Sustenta-se que o Direito, ao ser colonizado pela lógica do capital, torna-se instrumento de legitimação da ordem financeira, esvaziando seu papel normativo e sua função de contenção da desigualdade. O trabalho dialoga com autores como Sutherland, Zaffaroni, Zizek, Greco, Debord e Carvalho Filho, evidenciando que a representação cinematográfica serve como denúncia das insuficiências jurídicas na regulação do capital em sua fase financeirizada.
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