Da garantia epistêmica à fundamentação ontológica
uma releitura tomásica da Epistemologia Reformada de Plantinga
DOI:
https://doi.org/10.4013/con.2026.222.12Palavras-chave:
Aval; Epistemologia Reformada; Metafísica Tomista; Normatividade epistêmica.Resumo
O presente artigo examina a epistemologia do aval de Alvin Plantinga à luz da metafísica de Tomás de Aquino. Sustenta-se que, embora Plantinga ofereça uma crítica robusta ao evidencialismo e fundamente a crença teísta na operação adequada de faculdades cognitivas orientadas por um design plan divino, sua teoria permanece ontologicamente subdeterminada quanto ao fundamento da normatividade epistêmica. O objetivo é demonstrar que princípios tomistas como o axioma operatio sequitur esse, a doutrina da participação e a convertibilidade entre ens e verum fornecem o suporte metafísico necessário para conferir maior inteligibilidade à noção de warrant. Por meio de uma análise comparativa entre a epistemologia reformada e a metafísica tomista, argumenta-se que essa integração oferece uma fundamentação ontológica mais robusta para a racionalidade da crença em Deus. Sustenta-se ainda que tal enquadramento fortalece a posição plantinguiana diante das objeções gerais de Fales e Kitcher, ao mostrar que explicações evolucionárias da confiabilidade cognitiva não alcançam o fundamento ontológico da normatividade que pressupõem. Conclui-se que a metafísica tomásica não apenas complementa, mas reforça a teoria do warrant ao explicitar as condições ontológicas que tornam possível a ordenação das faculdades cognitivas à verdade e a adequação entre intelecto e realidade.
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