A neurociência molecular e celular sem reducionismo
limites da explicação mecanicista
DOI:
https://doi.org/10.4013/con.2026.222.01Palavras-chave:
Filosofia da neurociência. Neurofilosofia. Mecanismo. Ontologia do processo. Dorothy Emmet.Resumo
Este artigo investiga se a filosofia da neurociência pode engajar-se criticamente com os níveis molecular e celular da pesquisa neurocientífica sem incorrer em reducionismo ontológico ou metodológico. Partindo do diagnóstico de que a filosofia frequentemente evita esses níveis por receio de compromissos reducionistas, o trabalho revisa o papel explicativo do conceito de mecanismo em debates contemporâneos, examinando propostas de Ross & Bassett, Couch, Craver e Sullivan. Argumenta-se que, embora úteis para a descrição de relações causais localizadas, essas explicações permanecem ancoradas em uma gramática causal transiente, fundada na decomposição funcional, na sucessão temporal entre causa e efeito e na pressuposição de estabilidade organizacional entre partes e todo. Tal enquadramento mostra-se insuficiente diante da variabilidade metodológica efetiva da prática neurocientífica e da codependência dinâmica observada nos níveis molecular e celular. Como alternativa preliminar, o artigo recupera a distinção entre causação transiente e causação imanente desenvolvida por Dorothy Emmet, mostrando como uma ontologia processual permite compreender esses níveis como dimensões internas de continuidade causal, e não como fundamentos hierárquicos do mental. Defende-se, assim, que o problema não reside no recurso aos níveis inferiores, mas na concepção de causalidade herdada pelo mecanicismo.
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