Reflexões acerca da Filosofia da Tecnologia e da Autonomia Humana no contexto das Tecnologias de Informação e Comunicação
DOI:
https://doi.org/10.4013/con.2026.222.05Palavras-chave:
Tecnologias de Informação e Comunicação. Autonomia Humana. Cosmotécnica. Filosofia da Tecnologia. Auto-Organização.Resumo
O objetivo do presente artigo é abordar a influência das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na autonomia e auto-organização humana, explorando seus impactos positivos e negativos sob uma perspectiva filosófica-interdisciplinar. As TICs, ao mesmo tempo que facilitam a comunicação e o acesso à informação, também geram problemas de privacidade, vigilância e controle. Nesse contexto, investigamos em que medida essa relação humano-máquina amplia ou atenua a autonomia humana individual e coletiva a partir do conceito de autonomia (Gonzalez, 2017) e de auto-organização (Debrun, 1996). O artigo analisa as TICs a partir de três enfoques da Filosofia da Tecnologia, propostos por Alberto Cupani (2016): Mario Bunge (1985); Albert Borgmann (1984) e Andrew Feenberg (2002). A análise dos autores supracitados é feita para fundamentar a discussão da possível alteração dos graus de autonomia humana, que oscilam a partir da auto-organização de um sistema social, emaranhado pelas TICs no contexto do século XXI. Enfatizamos os conceitos de cosmotécnica proposto por Yuk Hui (2020), que une técnica e cultura, e tecnodiversidade, criticando a tendência hegemônica de um sistema homogêneo, imposta pela visão ocidental, ressaltando a conjectura da sociedade informacional atual. Em síntese, o problema que guia o presente artigo é: Como Tecnologias de Informação e Comunicação podem se tornar hegemônicas ao alterarem a autonomia humana e sua auto-organização? Por fim, argumentamos que embora as TICs ofereçam benefícios, ainda precisamos refletir sobre a imposição universal tecnológica e o controle de dados por grandes empresas de tecnologia para garantir que a tecnologia sirva ao bem-estar social e ecológico, sem sacrificar a diversidade cultural, autonomia e auto-organização humana.
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