Amor fati e “Eu sou”
Convergências éticas entre Nietzsche e Jesus Cristo
DOI:
https://doi.org/10.4013/con.2026.222.08Palavras-chave:
Nietzsche. Jesus Cristo. Amor Fati. Ética afirmativa. Aceitação do destino.Resumo
Resumo
Este artigo investiga a possibilidade de uma analogia funcional, de natureza estritamente hermenêutica, entre o conceito de Amor Fati, desenvolvido por Friedrich Nietzsche, e as fórmulas ἐγώ εἰμι (ego eimi) presentes no Evangelho de João. A pesquisa parte do pressuposto de que, embora pertençam a horizontes filosóficos e teológicos irredutíveis entre si, ambas as categorias desempenham funções existenciais comparáveis na afirmação da existência e na recusa do ressentimento diante do sofrimento. Por meio de pesquisa bibliográfica e de uma abordagem comparativa de caráter hermenêutico, fundamentada em literatura filosófica e exegética especializada, analisa-se o Amor Fati em articulação com os conceitos de vontade de poder, niilismo e eterno retorno, bem como o significado cristológico das fórmulas joaninas do “Eu sou”. Examina-se, ainda, a distinção estabelecida por Nietzsche entre a figura de Jesus e o cristianismo institucional, evidenciando que sua crítica dirige-se prioritariamente à moral sacerdotal e à elaboração paulina do cristianismo. Conclui-se que a aproximação entre o Amor Fati e o ἐγώ εἰμι não implica identidade conceitual ou continuidade histórica, mas uma analogia funcional limitada, pela qual ambos podem ser compreendidos como modos distintos de afirmação da existência e de enfrentamento do sofrimento, preservadas as diferenças filosóficas, ontológicas e teológicas que lhes são constitutivas.
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