A questão do castigo sob o escrutínio da genealogia moral de Nietzsche

Autores

  • Caius Brandão Doutorando, Mestre e Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Membro da Equipe Editorial da Revista Inquietude (UFG). E-mail: caiusbrandao@gmail.com

Palavras-chave:

Castigo, Genealogia da Moral, Friedrich Nietzsche.

Resumo

Apesar dos inúmeros estudos, interpretações e comentários já feitos sobre a Genealogia da moral: uma polêmica (1887), o tema do castigo ainda não foi suficientemente estudado pelos pesquisadores de Nietzsche. Assim, o objetivo central deste artigo é apresentar em linhas gerais a análise nietzschiana sobre a questão do castigo, o qual ocupa quase a metade de toda a Segunda Dissertação dessa extraordinária obra do filósofo alemão. Após examinarmos a relação traçada por Nietzsche entre o desenvolvimento da memória no hominídeo e as exigências do convívio social, passaremos à análise da sua crítica contra os genealogistas da moral de seu tempo, nomeadamente, os filósofos Karl Eugen Dühring, que defende uma teoria retributivista da justiça e de justificação da punição, e Paul Rée, que preconiza uma visão utilitarista da origem da moral e do castigo. Ao evidenciarmos a interlocução com Dühring e Rée, será possível perfilar a compreensão de Nietzsche sobre a origem e os sentidos do castigo na Genealogia da Moral.

Biografia do Autor

Caius Brandão, Doutorando, Mestre e Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Membro da Equipe Editorial da Revista Inquietude (UFG). E-mail: caiusbrandao@gmail.com

Caius Brandão é doutorando, mestre e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), tradutor profissional de textos acadêmicos (português - Inglês) e professor particular de inglês. Em 2017, por meio de processo seletivo, passou a integrar o Núcleo Nietzsche UFG. Atuou como Professor Substituto de Filosofia no Instituto Federal de Goiás (IFG), de agosto de 2015 a fevereiro de 2016. De abril a novembro de 2015, ocupou o cargo de Tradutor da Divisão de Periódicos do Centro Editorial e Gráfico da Universidade Federal de Goiás (UFG). Participa do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa Jean-Jacques Rousseau (UNICAMP) e do Grupo de Estudos da Democracia (UFG). Foi pesquisador voluntário em dois projetos de pesquisa pelo Programa de Iniciação Científica PIBIC/CNPq, em 2009 e 2010, com foco na questão da justiça e sob a orientação da Profª Drª Helena Esser dos Reis. Compôs a Equipe Editorial da Revista Inquietude (UFG), de 2010 a 2011. Em 2015, voltou a integrar a Equipe Editorial da revista, cargo que ocupa até o presente momento.

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Publicado

2018-09-05

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Artigos