Arqueologia das Mídias como Pós-História das Mídias

Autores

  • Marcio Telles Universidade Federal do Espírito Santo

Palavras-chave:

Arqueologia das Mídias, Teoria Alemã da Mídia, História das Mídias

Resumo

Na falta de um programa comum, autores da Arqueologia das Mídias a caracterizam como o avesso da História das Mídias. Este artigo almeja explorar essa oposição a fim de compreender os limites das proposições da Arqueologia das Mídias. Para tanto, resgata o conceito de “Pós-História” como proposto por Vilém Flusser, ligando-o à emergência das mídias técnicas. Este conceito subsidia a proposta da Arqueologia das Mídias como uma “historiografia corrigida”, capaz de lidar com uma pós-Modernidade cada vez mais técnica, midiatizada e não humana, não hermenêutica e não linear.

Biografia do Autor

Marcio Telles, Universidade Federal do Espírito Santo

Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo. Doutor e Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com estágio doutoral na Winchester School of Arts, Universidade de Southampton (Reino Unido). Recebeu Prêmio Compós na categoria Melhor Dissertação (2014) e 2º lugar no Prêmio Freitas Nobre da Intercom (2017). Bacharel em Jornalismo pela UFRGS.

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Publicado

2021-03-06