O dever e os postulados da razão prática em Kant

João Roberto Barros II

Resumo


Kant afirma na tese da Terceira Antinomia: “A causalidade segundo as leis da natureza não é a única de onde podem ser derivados os fenômenos do mundo no seu conjunto. Há ainda uma causalidade pela liberdade que é necessário admitir para os explicar” (1997, p. 406). A razão teórica exige uma universalidade do princípio de causalidade, exigência esta que leva a uma carência, já que ela não é satisfeita levando em conta apenas as leis da natureza que regem os fenômenos. Percebemos então um dilema da razão que se autoflagela por requerer de si mesma uma total compreensão do encadeamento dos fenômenos, evidentes em sua singularidade, contudo, arredios quanto a um encadeamento satisfatório, entenda-se completo, em se tratando da pluralidade. Nada pode faltar ou ficar de fora das leis que a racionalidade promove, já que tais leis são resultado das categorias puras do entendimento aplicadas à realidade empírica. A temeridade de considerar, no âmbito teórico, a realidade de uma causalidade livre arredia ao cerco do discurso racional gera uma incongruência, todavia a sua mera possibilidade salva a razão de um aprisionamento nas leis que controlam toda a sucessão dos fenômenos ocorridos no mundo empírico. A possibilidade da liberdade confere ao homem um lugar neste mundo condizente com sua natureza, ou seja, não determinado pelos fenômenos e capaz de ensejar espontaneamente nele uma série de acontecimentos.


Palavras-chave


dever, liberdade, postulados

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