A narrativa enquanto problema filosófico

Gesuína Leclerc

Resumo


O objetivo deste trabalho é apresentar a narrativa enquanto problema filosófico a partir dos conceitos de "necessidade transcultural" e de "ação simbólica", segundo as bases antropológicas empregadas no modelo etnográfico defendido por Geertz (1989). O problema emerge na associação entre conhecimento histórico e conhecimento científico, relacionando pesquisa de campo com questões epistemológicas segundo as tradições da historiografia francesa e do neopositivismo. A abordagem de Ricoeur nos encoraja a defender uma proposição. Ora, tal como acontece com a aceitação de uma teoria científica, a recepção de uma narrativa é um fato socialmente determinado. A proposição que desenvolveremos é que, diferentemente do que acontece com a aceitação de uma teoria científica, a aceitação de uma narrativa admite, tanto no dissenso quanto no consenso, que as testemunhas da narrativa sejam distraídas, ou que o "isso" de que se fala possa sobreviver apenas de modo translato; que as incongruências e a vagueza de idéias sejam comuns na linguagem pelo recurso aos gestos e pelo desequilíbrio de informação entre os interlocutores; que os gestos possam enganar o distanciamento dos propósitos ou a prosápia diante do que podia ter sido feito e não se fez etc. O discurso narrativo é o objeto par excellence da interpretação.


Palavras-chave


ação simbólica, Ricoeur, Geertz, narratividade

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