Por uma ética ambiental: o questionamento da sacralidade da vida humana

Tânia Kuhnen

Resumo


Este artigo objetiva evidenciar de que modo a ética ambiental não antropocêntrica questiona a sacralidade da vida humana, geralmente considerada o fundamento da moral tradicional. A sacralidade da vida humana é tomada como base para reivindicar a superioridade da vida humana em relação a outras formas de vida e limitar a comunidade moral aos integrantes da espécie Homo sapiens. Para alcançar o objetivo deste artigo, recorre-se ao modelo biocêntrico proposto por Paul Taylor, segundo o qual todas as entidades vivas possuem um bem próprio a ser promovido e protegido pelos agentes morais. Essas entidades integram a comunidade moral da mesma forma que os seres humanos a integram. O questionamento da sacralidade da vida humana na ética ambiental resulta na profanação, que, segundo Agamben, consiste em restituir ao livre uso aquilo que estava separado na esfera do sagrado, permitindo a realização de novos usos. Dessa forma, ao questionar a indisponibilidade da vida humana e realocá-la em uma comunidade moral agora estendida para entidades não humanas, é possível fazer dos seres humanos um novo uso. Em virtude disso, a ética ambiental aponta para uma nova dimensão ética.

Palavras-chave


biocentrismo, ética ambiental, ética prática, profanação, sacralidade

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