Considerações sobre as implicações éticas do criacionismo segundo o pensamento de Agostinho

Matheus Jeske Vahl

Resumo


Em Agostinho o conceito de criação aparece na qualidade de um fundamento que estabelece os níveis de coerência de sua argumentação. Ele estabelece que o mundo não é eterno, mas criado intencionalmente por um ser voluntarioso que atua em sua conservação e desenvolvimento – Deus. O homem é o ente que tem o privilégio de ser imagem e semelhança de Deus, portanto, racional e livre. Tal condição lhe dá a capacidade de alterar e transgredir a Ordem em que a realidade está estabelecida, o que lhe torna o único responsável pela presença do mal nela. O homem, portanto, é o único ente que tem uma relação ética com o criador, relação esta que passa a estar marcada pela justiça divina que faz não apenas com que o homem responda pelo mal cometido, mas também que ele seja perdoado e recuperado.

Palavras-chave


Deus; mundo; homem; natureza.

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