Um argumento contra a tese da subjetividade ontológica da consciência no naturalismo biológico de John Searle

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DOI:

https://doi.org/10.4013/fsu.2020.213.08

Resumo

John Searle alega que a consciência é ontologicamente subjetiva, pois os fenômenos mentais conscientes só existem na medida em que são vivenciados. Portanto, fenômenos mentais são essencialmente conscientes, na medida em que seu caráter mental depende de sua conexão com a consciência. Entretanto, para compatibilizar (a) a aceitação de fenômenos mentais inconscientes com (b) essa sua visão cartesiana da consciência (como a essência da mente), Searle defende (c) uma teoria disposicionaldo inconsciente. O problema é que casos de causação mental inconsciente exigem que certas propriedades mentais importantes (propriedades sensoriais e propriedades intencionais) existam de modo ocorrente, e não meramente de forma disposicional. Ao aceitar a causação mental inconsciente, Searle está se comprometendo (inadvertidamente) com uma existência mental independente da consciência. E tal existência inconsciente implica que certos fenômenos mentais são ontologicamente objetivos, e não subjetivos, como ele alega, pois eles existem sem serem vivenciados.

Palavras-chave: Subjetividade ontológica, inconsciente, disposição, causação mental, objetividade.

Biografia do Autor

Tárik de Athayde Prata, Universidade Federal de Pernambuco

Mestre em Filosofia Contemporânea pela Universidade Federal do Ceará. Doutor em Filosofia pela Ruprecht-Karl Universität Heidelberg. Professor Associado do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco

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Publicado

2020-11-25

Edição

Seção

Artigos