Filosófica & Natural: a dupla identidade da causalidade no Tratado de Hume

Autores

  • Eduardo Barra Departamento de Filosofia Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.4013/fsu.2012.132.02

Resumo

Em sua teoria das relações, Hume as classifica em naturais e filosóficas. Ele não se preocupa, entretanto, em esclarecer convenientemente os seus critérios para classificar uma determinada relação como filosófica ou como natural. Num dos seus raros pronunciamentos a propósito no Tratado da Natureza Humana (1739), Hume sugere que a relação de causa e efeito, em particular, possa ser classificada tanto como relação filosófica quanto como relação natural. Reunindo passagens como essa, pretendo reconstruir a teoria humeana das relações de causa e efeito, tendo como ponto de partida o longo argumento que Hume desenvolve no decorrer de virtualmente toda a terceira parte do livro inicial do Tratado, argumento esse que interpreto como a sustentação da possibilidade e, sobretudo, da necessidade de transitar entre esses dois modos de classificar a causalidade – da sua condição inicial de uma relação filosófica à condição de uma relação natural. Diante dessa dupla definição de causalidade, meu objetivo será ainda identificar uma justificativa pragmática para a permanência da definição filosófica após o próprio Hume tê-la declarado conceitualmente precária e parcial. Creio que as regras para ajuizar sobre causas e efeitos, estrategicamente colocadas ao final do longo argumento para a naturalização da causalidade, incluem parte dessa justificativa. Por fim, a partir dessa dupla fundamentação da causalidade (natural e filosófica, conceitual e pragmática), apresento uma sugestão para reabilitar a interpretação da causalidade humeana como simples regularidade, sem abrir mão das críticas que lhe foram dirigidas por Kemp Smith e seus seguidores.

Palavras-chave: causalidade, Hume, David (1711-1776), relação, indução, pragmática da investigação.

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Publicado

2012-07-25

Edição

Seção

Artigos