Sessão Temática: Arquitetura, Urbanismo e o Espaço Digital no Contexto das Emergências Climáticas (em publicação)

2026-10-23

Atualização: a chamada foi encerrada em 30 de setembro de 2025. O primeiro artigo da Sessão Temática, O rio em fragmentos: análise das legislações urbanas municipais ao longo do rio Piranga (MG), está publicado no v. 22, n. 1 (2026), e a sessão será concluída na próxima edição. Chamada publicada originalmente em 27 de junho de 2025.

Prezados(as) leitores(as), pesquisadores(as) e profissionais,

É com um misto de urgência e responsabilidade que apresentamos esta sessão temática da ArquiteturaRevista dedicada às emergências climáticas. A urgência do tema impõe-se de maneira contundente, especialmente no contexto do Rio Grande do Sul, território que tem sido diretamente afetado por eventos climáticos extremos de magnitude sem precedentes. As recentes e severas inundações, os movimentos de massa, as secas prolongadas e os ciclones extratropicais evidenciam um cenário que demanda um debate aprofundado, multifacetado e interdisciplinar, englobando reflexões e ações sobre o papel do Estado, a atuação dos profissionais e, fundamentalmente, a contribuição do conhecimento científico qualificado.

A crise climática é uma realidade global com repercussões locais profundas. Conforme alertam Masson-Delmotte et al. (1) no relatório do IPCC, o aquecimento global de origem antropogênica está a provocar "mudanças generalizadas e rápidas na atmosfera, oceano, criosfera e biosfera". A urgência em abordar este tema acentua-se ao considerarmos que "as mudanças climáticas já estão afetando todas as regiões habitadas da Terra, com impactos observados que variam de eventos extremos mais frequentes e intensos a alterações graduais nos ecossistemas" (2). No caso específico do Rio Grande do Sul, a recorrência de desastres hídricos, como os observados em 2023 e 2024, torna premente a necessidade de repensar o planejamento territorial, o projeto arquitetônico e as estratégias de resiliência urbana.

Este contexto torna inequívoco que não se trata de desastres naturais isolados, mas de manifestações de uma crescente instabilidade climática, a qual exige reflexão aprofundada e ações transformadoras de todas as áreas do conhecimento. A ArquiteturaRevista, em consonância com sua missão de divulgar trabalhos científicos relacionados ao território, ao edifício e ao espaço digital, e em seu compromisso com a construção de um saber eticamente responsável, reconhece a centralidade das emergências climáticas na produção intelectual contemporânea. A arquitetura, o urbanismo e as tecnologias a eles associadas desempenham um papel crucial na construção de um futuro mais resiliente.

Temáticas de interesse

Para esta sessão, são especialmente bem-vindos trabalhos que abordem, mas não se limitem a, os seguintes eixos temáticos:

Conforto Ambiental em Cenários Extremos
Pesquisas que explorem estratégias de projeto e materiais para o conforto térmico, lumínico e acústico em edificações, face a cenários de calor intenso, inundações e variações extremas de temperatura. O eixo busca ampliar a discussão sobre como o ambiente construído pode mitigar os efeitos de condições climáticas adversas.

Arquiteturas e Espacialidades: Espaços Urbanos Resilientes
Análises de soluções arquitetônicas e de desenho urbano que fortaleçam a capacidade de resposta e recuperação de edifícios, espaços públicos e comunidades frente a eventos extremos. O eixo contempla desde estudos de caso e propostas conceituais a inovações tipomorfológicas, estruturais e funcionais, tanto na dimensão da arquitetura quanto na da cidade, que promovam a resiliência de assentamentos humanos.

Inovações em Normas e Legislações para a Arquitetura e o Urbanismo
Análises críticas e propositivas que visem ao avanço de normas técnicas, códigos de obras e planos diretores. O eixo busca contribuições que incorporem os princípios da resiliência climática e da sustentabilidade no ciclo de vida das construções e no planejamento territorial, refletindo sobre a necessária e constante atualização das normas de desempenho frente aos novos desafios climáticos.

Projetos Urbanos e a Incorporação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN)
Artigos sobre estudos e projetos inovadores na implementação de SBN (soluções baseadas na natureza), infraestrutura verde e sistemas de drenagem sustentável (SUDS). O aprofundamento do tema visa à redução de riscos, à regulação hídrica e climática e à melhoria da qualidade ambiental urbana, valorizando a integração de ecossistemas naturais no desenho urbano como estratégia para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

Planejamento Territorial e Gestão de Riscos
Pesquisas sobre o planejamento territorial como ferramenta de mitigação e adaptação às emergências climáticas, incluindo mapeamento de áreas de risco, zoneamento ecológico-econômico e estratégias de realocação. Este eixo fomenta o diálogo com o Direito Urbanístico e o Direito dos Desastres, incentivando análises sobre a atualização de legislações como o Estatuto da Cidade – Lei Federal nº 10.257/2001 (3) – e sua articulação com a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – Lei Federal nº 12.608/2012 (4).

Esta sessão representa um chamado à ação. Defendemos que a pesquisa e o debate qualificado são ferramentas essenciais para a formulação de respostas eficazes aos desafios impostos pelas emergências climáticas. Convidamos a comunidade acadêmica e profissional a submeter artigos científicos que aprofundem a compreensão e proponham soluções inovadoras para este cenário.

Esta chamada estará aberta no período entre 30 de junho de 2025 e 30 de setembro de 2025. Os artigos aprovados serão publicados de forma progressiva, em sessões temáticas distribuídas ao longo das edições da Revista a partir de 2026, conforme forem concluídas as etapas de avaliação e de editoração. Destaca-se que neste período podem ser submetidos manuscritos de temática livre, que seguirão o fluxo editorial em paralelo. Após 30 de setembro, as submissões serão pausadas para as atividades editoriais das próximas edições, reabrindo nos primeiros meses de 2026.

Esperamos que os trabalhos aqui publicados inspirem novas abordagens, fomentem a colaboração interdisciplinar e contribuam para a construção de um futuro mais seguro e sustentável para o Rio Grande do Sul e para o planeta.

Atenciosamente,

O Conselho Editorial da ArquiteturaRevista

Editores-chefes
Profa. Dra. Alessandra Teribele, Unisinos
Prof. Dr. Marcelo Arioli Heck, Unisinos

Comissão Editorial Científica
Prof. Dr. Anderson Dall'Alba
Prof. Dr. André de Souza Silva, Unisinos
Prof. Dr. Julian Grub, Unisinos
Profa. Dra. Patrícia de Freitas Nerbas, Unisinos

Referências

  1. MASSON-DELMOTTE, V. et al. (ed.). Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.
  2. IPCC. Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2023.
  3. BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 jul. 2001.
  4. BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC); dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil (CONPDEC); e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 abr. 2012.