O mal como preceito epistemológico do Jornalismo

Autores

  • Rodrigo César Lima Universidade de São Paulo
  • Anderson Vinícius Romanini Universidade de São Paulo (ECA/USP)

Palavras-chave:

Jornalismo, Problema do Mal, Epistemologia

Resumo

O conceito de mal desempenha um papel importante na constituição do campo comunicacional e esse fator pode ser verificado estatisticamente no caso das pautas veiculadas pela grande mídia. Tomando o mal como uma espécie de dano intolerável produzido a partir de uma transgressão culpável, demonstramos por meio de um extensivo levantamento de notícias que a maioria se refere a temáticas que orbitam o problema do mal – a título de exemplo, utilizamos a rede estadunidense CNN e o jornal brasileiro Folha de S. Paulo como casos paradigmáticos. Propomos que essa inclinação negativa na cobertura jornalística é um fator epistemológico da própria natureza da comunicação social. Sugerimos, por fim, uma revisão na epistemologia tradicional do jornalismo de forma a incluir o problema do mal como condição de possibilidade no processo de seleção dos acontecimentos noticiados.

Biografia do Autor

Rodrigo César Lima, Universidade de São Paulo

Graduado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie com período sanduíche no Institut d'Études Politiques de Paris. Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Mestrando em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Pesquisa temas relacionados à filosofia da comunicação, linguagem e jornalismo.

Anderson Vinícius Romanini, Universidade de São Paulo (ECA/USP)

Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Pós-doutorado pela Universidade de Indiana (EUA), em 2014. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Filosofia e Teoria da Comunicação, Filosofia da Linguagem, Cultura e Semiótica. Atualmente, é professor-doutor no programa de pós-graduação PPGCOM/USP/ECA (Comunicação) e PGEHA/USP/ECA (Interunidades em Estética e Historia da Arte). É também o atual presidente da Sociedade Brasileira de Ciência Cognitiva (SBCC) para a gestão 2017-2019. Pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC), do Centro de Lógica e Epistemologia da Ciência (CLE/Unicamp), do Grupo de Estudos em Sistemas Sígnicos do Design, bem como do Projeto UniTwin da Unesco (Unesp).

Referências

ALBERT, P.; TERROU, F. 1990. História da imprensa. São Paulo, Martins Fontes, 121 p.

CARD, C. 2002. The Atrocity Paradigm: A Theory of Evil. Oxford,

Oxford University Press, 284 p.

DE LACERDA, R.; DE LACERDA, H.; ABREU, E. 2004. Dicionário de

provérbios: francês, português, inglês. 2ª ed. São Paulo, Editora

UNESP, 762 p.

LEGG, A.M.; SWEENY, K. 2013. Do You Want the Good News or

the Bad News First? The Nature and Consequences of News

Order Preferences. Personality and Social Psychology Bulletin,

(3):279-288.

GALTUNG, J.; RUGE, M.H. 1965. The Structure of Foreign News.

The Presentation of the Congo, Cuba, and Cyprus Crisis in Four

Norwegian Newspapers. Journal of International Peace Research, Oslo, 2(1):64-91.

MADDEN, E.; HARE, P. 1968. Evil and the Concept of God. Springfield, Charles C. Thomas, 142 p.

MEDINA, C. 1978. Noticia – Um produto à venda. São Paulo, Alfa

Ômega, 191 p.

MEDINA, C. 2008. Ciência e jornalismo: da herança positivista ao

diálogo dos afetos. São Paulo, Summus, 120 p.

STEPHENS, M. 1988. A History of News. New York, Penguin Books,

p.

TRAQUINA, N. 2005. Teorias do jornalismo: por que as notícias são

como são. 2ª ed. Florianópolis, Insular, 224 p.

TRAQUINA, N. 2013. Teorias do jornalismo: a tribo jornalística: uma

comunidade interpretativa transnacional. 3ª ed. Florianópolis,

Insular, 206 p.

WITTGENSTEIN, L. 2001. Tractatus Logico-Philosophicus. Trad. Luis

Henrique Lopes dos Santos. São Paulo, Edusp, 281 p.

Downloads

Publicado

2021-03-06