O registro do hífen na aquisição da escrita

Cristiane Carneiro Capristano, Viviane Favaro Notari

Resumo


Com o objetivo de investigar como crianças usam o hífen em seus enunciados escritos, no presente artigo, são analisadas, quantitativa e qualitativamente, ocorrências convencionais e não convencionais desse sinal gráfico presentes em 421 enunciados escritos, elaborados por 38 crianças da (antiga) quarta série do ensino fundamental, atual quinto ano. Os resultados quantitativos e qualitativos sinalizam, dentre outros fatos, que as crianças, nessa etapa ainda inicial da aquisição da escrita, parecem não ter grandes dificuldades para registrar de forma convencional esse sinal, já que parte significativa dos dados analisados respeita as normas ortográficas para o registro do hífen. Esses resultados permitiram observar, também, que, ao registrarem o hífen de forma convencional e, sobretudo, de forma não convencional, as crianças deixam pistas de que são afetadas, ora por sua circulação por práticas orais, ora por sua circulação por práticas letradas. Essa constatação permite sustentar que a atualização particular que as crianças fazem do hífen em seus enunciados escritos seria efeito da imagem que possivelmente constroem sobre esse sinal gráfico a partir da complexa inserção delas em diferentes práticas sócio-históricas, não apenas aquelas agenciadas pela escola, e, nesse sentido, indiciaria saberes que se dão a ler/ver para essas crianças na opacidade da escrita com a qual entram em contato nessas práticas.

Palavras-chave: aquisição da escrita, letramento, ortografia.


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