Bilinguismo e controle inibitório: possíveis interferências das variáveis “profissão” e “escolaridade”

Lisandra Rutkoski Rodrigues, Márcia Cristina Zimmer

Resumo


Estudos recentes apresentaram resultados controversos quanto à vantagem bilíngue (i.e., tendência de bilíngues de superar monolíngues em tarefas de interferência não-linguística que medem funções executivas (FEs) como controle executivo (CE), atenção, inibição, resolução de problemas). Pesquisas recentes mostraram que bilíngues tendem a apresentar vantagem mais robusta em tempos de reação (TRs) globais do que na magnitude do efeito de interferência. Independentemente de sua natureza, a chamada vantagem bilíngue já foi achada em diferentes grupos etários, mas às vezes nenhuma vantagem bilíngue é encontrada. Este estudo investiga as consequências do bilinguismo no controle inibitório, focando em duas variáveis que podem competir com a vantagem bilíngue: “profissão” e “escolaridade”. Dois grupos de adultos de meia-idade com alta escolaridade, executivos e professores, divididos em bi/monolíngues, foram testados em uma tarefa cognitiva não-verbal, a tarefa de Simon, a fi m de replicar estudos prévios que encontraram uma vantagem bilíngue quanto ao efeito de interferência no mesmo grupo etário. Embora os bilíngues tenham superado seus pares monolíngues, nenhuma diferença significativa foi encontrada no efeito de interferência, e ambos os grupos linguísticos foram mais rápidos nos ensaios incongruentes do que nos congruentes, resultando em efeitos de interferência nulos, contrariando a ideia inicial de que os participantes sempre demoram mais para responder aos ensaios incongruentes. Os resultados sugerem que certas atividades profissionais, bem como altos níveis de escolaridade, podem interferir com a vantagem bilíngue.

Palavras-chave: bilinguismo, funções executivas, controle inibitório.


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