Co-participação tático-reflexiva: formas de (inter)ação na sala de aula de LE com potencial democrático

Branca Falabella Fabrício

Resumo


Neste artigo discuto a possibilidade de revisão de aspectos do modelo disciplinar de educação – ainda norteador de expectativas quanto ao trabalho realizado em muitas salas de aula – em um momento de intensas transformações, caracterizado, por alguns autores, como pós-panóptico. Argumento que a revisão tanto do panoptismo quanto de práticas pedagógicas a ele relacionadas passa pela reconstrução de formas naturalizadas de participação em sala de aula. Para sustentar este ponto de vista e propor um tipo de estrutura de participação que possa contribuir para a rearticulação de práticas interacionais recorrentes na sala de aula, utilizo conversas geradas por um estudo etnográfico de dois anos de duração em um contexto educacional específico: um curso de inglês como língua estrangeira. Na análise desses dados, construída a partir da associação de uma ótica foucaultiana ao trabalho de Schultz et al. (1982), identifico um conjunto de práticas constituidoras de outro tipo de estrutura de participação – por mim denominada co-participação tático-reflexiva –, que favorece a caracterização da sala de aula, em geral, e da sala de aula de línguas estrangeiras, em particular, como espaços interculturais de troca e diálogo democrático.

Palavras-chave: panoptismo, estrutura de participação, co-participação tático-reflexiva, diálogo intercultural.

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