A Narrativa, a Experiência e o Videofone

Eliana Monteiro

Resumo


Neste artigos, estamos interessados em compreender a figura do jornalista a partir do uso das novas tecnologias, em especial a imagem transmitida pela câmera do videofone. Num primeiro momento, chamamos a atenção para um comprometimento do jornalista com a narrativa do acontecimento transmitido em tempo real, simultâneo. Constatamos que o jornalista, neste tipo de transmissão, construída no tempo presente – denominamos de presente tudo aquilo que pode ser experimentado – é “contaminado pela narrativa” do acontecimento de tal maneira que ele se torna integrante dela. Desse modo, ele deixa de ser um simples informante do episódio, pois a narrativa integra sua própria experiência. Paradoxalmente, essa integração do jornalista à cena descrita é produzida por uma visão fixa, angular, da lente do videofone, uma “visão sem olhar”. Na tela, configura-se uma nova imagem, construída sem sujeito (cinegrafista), sem respiração, inerte, que não desliza pelo acontecimento e que, portanto, não o interpreta. É um novo registro imagético que explica tal paradoxo: o ajuste do olhar como peça intrínseca à máquina televisiva.





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