doi: 10.4013/ver.20083.04


Recados ao revisor de textos: representações do profissional de texto nas crônicas de Eduardo Almeida Reis

Scraps to texts reviewer: representations of text professionals in the chronicles of Eduardo de Almeida Reis

Ana Elisa Ribeiro1


anadigital@gmail.com

Com base em conceitos de norma padrão, norma culta, normativismo e na verificação do espaço aberto na mídia para o surgimento de colunas de “dicas” de língua portuguesa, este artigo discute a representação do revisor de textos em um conjunto de quinze crônicas de Eduardo Almeida Reis, publicadas de 2005 a 2007, no jornal Estado de Minas, especialmente no caderno de Esportes. Todos os textos do intervalo de dois anos foram lidos, mas foram selecionados para análise apenas aqueles em que a figura do revisor era mencionada ou tratada. Também são discutidas as representações de leitor surgidas nessas crônicas. O artigo intenta contribuir para os estudos de edição de texto e pretende discutir e, em alguma medida, combater certa representação normativista do revisor, encontrada no senso comum e mesmo em estudiosos que tratam ligeiramente do tema.

Based on concepts of standard language and normative uses of language and based on the verification of open space in the media for the appearance of columns of "hints" of the Portuguese language, this article discusses the representation of the text reviewer in a series of fifteen Eduardo Almeida Reis´ chronicles, published from 2005 to 2007, in the Estado de Minas newspaper, mostly published in the sports section. Only texts in which the person of the reviewer was mentioned were selected for analysis. We also discuss the representations of the reader in this chronicles. This article intends to contribute to the study of editing and it also intends to discuss and combat some normative representation of the reviewer, found in common sense and even in scholars who study the theme.

Intróito ao cronista

Toma-se, como quase todos os dias, o jornal nas mãos. Uma ligeira visada na primeira página dá idéia, embora apenas rasante, do que se pode encontrar nos cadernos e nas páginas do diário. Em geral, uma foto maior prevalece mais ao centro, guiando os olhos pela manchete. Eis o assunto principal, onde sói estar. Aos lados, embaixo, apenas o periférico, mais de um lado do que de outro. A despeito de tudo o que muda todos os dias nos jornais, em algum canto das páginas há de haver algo estável. O horóscopo, as palavras cruzadas, as tirinhas e os cronistas. Nem sempre exatamente nos mesmos loteamentos, nem nas mesmas posições. Cotidianamente vestidos de novas ilustrações, até de desenhistas diversos. Em duas ou três colunas, normalmente com foto. O cronista é, na maioria das vezes, o responsável por uma leveza e uma liberdade que a notícia e a reportagem não têm, ao menos nos jornais ditos “jornalões”. Por vezes sequer os cronistas são capazes desse vôo fluido pela linguagem e pelo cotidiano. No lugar de entrarem com as hard news, se ombreiam com elas para medir quem é mais denso. Não é, no entanto, o caso de Eduardo Almeida Reis.

Cronista do Estado de Minas desde 2005, quando estreou um espaço no caderno de Esportes, aos poucos, deixou a pauta “futebol” e, sorrateiramente, escreveu ao leitor sobre tantos outros assuntos. Por vezes o futebol é apenas a desculpa para um assunto melhor. Outra vez, a despeito da boa narrativa sobre tal ou qual jogo de bola, do campeonato estadual ou nacional, Reis insere caros conhecimentos enciclopédicos, dando inclusive as fontes, ou insinua pelo texto uma graça e uma ironia de rara eficácia. Ao leitor resta ter duas impressões ao ler as crônicas do caderno de Esportes: a do hilariante e a do surpreendente. Embora alguns assuntos pareçam, de início, desarticulados, movem-se em direção um ao outro de forma que o texto, como sempre deveria ser, forma-se um engraçado tecido de sentidos.

Característica forte nas crônicas de Almeida Reis é a explicitação de uma interação muito dialogada com o leitor. Não aquela “normal” e encontrável em qualquer texto que se preze, mas aquela do narrador que trata de olhar nos olhos de quem lê e tece perguntas, questões, quer “trocar idéias” (na expressão do cronista). Mesmo que as duas dimensões da impressão em papel não permitam uma interação de fato com o autor, há sempre a possibilidade da provocação. Certamente, conforme o próprio autor relata e de acordo com feedbacks que ele dá em outras crônicas, os leitores lhe escrevem e-mails, cartas e entabulam, mesmo, a conversa que ele permite e articula.

Mas quem é o leitor de Eduardo Almeida Reis? São dois. Aspecto intrigante do texto do autor é que se uma vez aparece um leitor de crônicas, leigo, espectador, chamado ao bate-papo, de outra vez, e não raro, surge um leitor-revisor, leitor profissional2, com quem o narrador “troca outro tipo de idéia”. Mas será adequado falar aqui em “troca”? Da mesma forma que o leitor do jornal se sente atraído pelas indagações de Reis, certamente o revisor convocado ao texto também lhe deve um diálogo a respeito deste ou daquele vocábulo, da sintaxe ou da norma.

A “boa” língua portuguesa

Nas crônicas de Reis, além dos temas do futebol e da política, comentados com ironia fina, surgem também, em profusão, comentários e arrazoados sobre a língua portuguesa. O pretexto é sempre a conversa com um revisor, que nada deve ter de imaginário3, mas o assunto traz à tona, quase sempre, a questão das normas, padrão, culta ou brasileira. E é dela que passamos a discorrer.

Segundo Rodrigues (2004, p. 14), o que “em geral se entende por língua padrão é, sem duvida, um caso de padrão ideal”. Uma língua falada por ninguém, mas “tida, pelos membros de uma sociedade, como aceitável em determinadas situações, em que outras variantes não podem ter a mesma aceitação”.

A confusão de conceitos denominados norma padrão, norma culta e norma (só) se desenha melhor nas palavras e nas definições dos lingüistas, especialmente daqueles preocupados com questões de variação e mudança. Faraco (2004, p. 39), por exemplo, esclarece que para

designar os fatos da língua que este grupo social mais diretamente afeito às atividades de escrita usa correntemente em situações formais de fala e na escrita, costumamos, então usar a expressão norma culta, expressão que, como veremos adiante, não se confunde com a norma-padrão.

Segundo esses pesquisadores, essas normas, afinal, não são a mesma coisa. O que se chama, para Faraco (2004, p. 40), de norma ou língua padrão é o “(...) processo fortemente unificador (que vai alcançar basicamente as atividades verbais escritas), que visou e visa uma relativa estabilização lingüística, buscando neutralizar a variação e controlar a mudança”.

Para ambos os lingüistas, o ideal de norma (padrão), e mesmo a norma culta (menos rígida, a princípio), atinge mais o âmbito do escrito, que tende a parecer menos variável e, por que não, é mais mistificado pelas sociedades ditas “grafocêntricas”.

Na escrita, Faraco (2004, p. 42) lembra que “(...) a elite letrada conservadora se empenhou em fixar como nosso padrão um certo modelo lusitano de escrita, praticado por alguns escritores portugueses do Romantismo (cf. Pagotto, 1998; Faraco, 2002)”. Daí uma escrita não apenas mais estável e preciosa, como também uma escrita moldada por ideais que já não eram nossos antes mesmo de serem “fixados”.

Lucchesi (2004, p. 87) traz outras duas medidas para o mesmo problema (de pesquisa): os conceitos de norma culta e norma popular. Atente-se que, em ambos os casos, o substantivo é “norma”, para cima ou para baixo de uma linha que o leigo (não-lingüista) considera uma língua “boa”.

Para alinhavar a discussão, sem, no entanto, intentar concluí-la, Bagno (2004, p. 179), realinha os conceitos de norma culta e norma padrão, fazendo com o leitor o combinado de preterir a primeira em favor de expressão melhor: “variedades cultas”, o que dá às línguas cultas possíveis a flexibilidade que elas de fato têm. À norma padrão resta a frieza de estar cristalizada e fora de circulação (se é que se pode dizer que tenha circulado).

Neste trabalho, em consonância com os lingüistas, nos referiremos sempre à norma padrão, esta que Almeida Reis parece buscar em suas crônicas.

Imprensa e norma

A imprensa brasileira (e isso certamente não é caso isolado) tem sistematicamente dado espaço a “especialistas” em língua portuguesa, muita vez em colunas fixas e muito lidas. Há quem colecione as “dicas” de muitos “personagens” experts em regras da norma padrão, prescritas com força de lei e desprovidas de qualquer sombra de discussão. O que está ali não é norma culta, enfatize-se, mas a norma que parece precisar ser sempre repetida, repisada, porque ninguém sabe e quase ninguém, também, usa.

Os autores dessas colunas são ora professores de português bem-sucedidos nessa “indústria da norma padrão”, ora jornalistas que “entendem de língua”. Outras tantas vezes suas formações são obscuras, bastando que sejam bons comunicadores. Têm espaços nos maiores jornais do país, assim como na televisão e no rádio. Aparecem aos borbotões na internet, com sites de “dicas” e de regras de gramática. Além disso, costumam figurar como nomes credíveis e impulsionadores nas capas de manuais de redação (mesmo nos dos jornais em que trabalham) e em livros de dicas de português. Não são gramáticos, nem lingüistas, nem pesquisadores, nem jornalistas. Ocupam um lugar que, certamente, tem razão de existir.

Segundo Faraco (2004, p. 52), esse tipo de coluna teve início com “o gramático Cândido de Figueiredo, no século XIX e começo do XX”, dono de espaços em jornais de Lisboa e do Rio de Janeiro. Figueiredo tinha a função de caçar “erros” de língua em toda parte e “condenar furiosamente os falantes por sua suposta ignorância lingüística e pelo descuido e descaso das questões vernáculas”.

Faraco (2004, p. 37) aponta a proeminência que os meios de comunicação dão, no Brasil, à “questão da chamada norma (ou língua) padrão” e ao “velho discurso de que a língua portuguesa vai (muito) mal no país”. Para o lingüista (p. 46), “(...) o tom do debate (há mais de século e meio) é sempre o mesmo: recrimina-se os brasileiros por supostamente não saberem falar e escrever ‘corretamente’”. A despeito da existência dessa “polícia sobre a língua”, na expressão de Faraco (p. 49), há nisso algum ponto positivo, tal como “A existência de espaços nos meios de comunicação social para se discutir os fenômenos da língua em geral e do padrão em especial”, o que, para o pesquisador, pode ser “uma fonte de enriquecimento da cultura lingüística da população e, por essa via, vetor politicamente relevante do combate aos preconceitos e à discriminação social de base lingüística (...)” ou “espaço de divulgação científica (por exemplo, dos estudos do português que se ampliam no Brasil)”.

Scherre (2004, p. 218) é bem menos complacente. Citando ocorrências da revista Veja, a lingüista afirma que “Ainda como cidadã brasileira, falante nativa do português brasileiro e estudiosa da variação lingüística, estou certa de que, de fato, a mídia brasileira vem prestando um real desserviço à inteligência e à dignidade humana, ao estabelecer identidade entre gramática normativa e língua (...)”.

Apesar de discordâncias entre os lingüistas em um ponto ou outro do tema, todos fazem coro ao defender a flexibilização da norma ou dos arranjos que se fazem com ela. Para Faraco (2004, p. 58-59), é problema que cerca o tema da língua no Brasil uma “identificação do padrão com o conteúdo dos compêndios gramaticais excessivamente conservadores, o que tem inúmeras conseqüências negativas e perturbadoras para a efetiva padronização lingüística no país, em especial pelo que esses compêndios têm de artificial e anacrônico”. A despeito dessa característica, ações em sentido aposto ajudam a tornar maleável essa “identificação” quando, segundo o autor (p. 50), a “(...) Folha de S.Paulo estampa uma manchete como ‘Do jeito que o Guga não gosta’ (3/1/2002, p. D-1)” e aí “não se pode tomar o caminho simplista de dizer que o jornalista ‘não sabe português’; ou que os revisores ‘comeram bola’; ou que o jornal ‘é displicente na utilização da língua’”, tornando evidente que se tratou, da parte do jornal, de uma escolha editorial muito relacionada às “variantes cultas”, mais palpáveis do que a tal “norma padrão”.

Outro exemplo dado por Faraco (2004, p. 44) é o do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, que, segundo o pesquisador, ajuda a mudar o “quadro de verdadeira esquizofrenia lingüística em que estamos metidos”. Para operar, de fato, essa mudança, primeiro nos meios de comunicação e depois no senso comum, é necessário ir “aproximando o padrão da norma culta”. Segundo Faraco, para se chegar a esse ponto, é necessário que “lingüistas, gramáticos, professores, autoridades educacionais, meios de comunicação social, usuários do padrão em geral” travem “uma guerra ideológica ao normativismo”, para o que concorre também a seleção de referências menos prescritivistas (daí o exemplo do Houaiss, ponto positivo).

Leitor e revisorb

Nos textos de Almeida Reis, o revisor não é o leitor comum, ao qual o narrador se dirige para a “troca de idéias”. O que o narrador faz não é perguntar, indagar, provocar, em busca desta ou daquela resposta. Ele age em sentidos muito mais fechados: decide ou agradece. Mas quem é o revisor? Essa é a pergunta que guia esta seção. Muito embora o número de não-revisores leitores de Almeida Reis seja muito maior do que o número de revisores de texto que têm contato com aquelas peças, não há, aqui, preocupação com o público leitor em geral. Trata-se, certamente, do público que vai ao caderno de Esportes do Estado de Minas, o que certamente já pode caracterizar um perfil, ainda que vago. Dada a qualidade das crônicas, provavelmente é muito procurada (que é o que se faz em jornais) e lida por leitores de outros cadernos, que abrem as páginas de Esporte só ali, naqueles centímetros quadrados de Almeida Reis. Um público, portanto, que escapole à mira do jornal e é acertado no lucro.

E quem é o revisor? Ao menos o dos textos de Eduardo Almeida Reis não nos escapará. O revisor mencionado por Britto (2004, p. 153) é um praticante cego da norma, aquele que atua “exatamente na construção de um modelo de língua em que prevalece a idéia de um princípio legislativo – de uma lei da escrita”.

Conforme o lingüista, “o papel do revisor, para ele próprio (mesmo que não dizendo), não é contribuir para que o autor do texto escreva o que quis do jeito que quis (o que seria uma ação pedagógica), mas ajustar o texto a um hipotético padrão ‘oficial’”. Não há, nesse retrato em preto-e-branco, espaço para outra espécie de revisor, por exemplo, aquele cuja formação acadêmica é justamente na lingüística. Para Britto (2004, p. 154), “Em nenhum outro lugar a marca do legalismo lingüístico é tão evidente”, desabono ao profissional que pode, certamente, querer “contribuir para que o autor do texto escreva o que quis do jeito que quis”, promovendo a tal (e tão positiva) “ação pedagógica” citada pelo autor.

Apesar da afirmação de Britto (2004, p. 154) de que o revisor necessariamente reproduz “um modelo de língua ideal, de um lugar da linguagem em que a variação é indesejável”, é possível encontrar reflexões que conduzem à flexibilização, tais como a de Yamazaki (2007), revisora profissional, segundo quem a mesma mudança que Bagno (2001, p. 293, citado por ela) propõe à postura do professor de português (mudança em relação ao objeto de ensino norma padrão) deveria ocorrer entre “os profissionais que trabalham com edição de textos” 4. Ao que parece, é possível que o horizonte dos revisores venha se alargando e que eles mesmos, lingüistas recém-formados, leitores de Bagno e Britto, passem a operar algo dessa flexibilização, centrífuga em relação à norma padrão, ao menos crítica o suficiente para considerar variantes cultas.

Os textos de Eduardo Almeida Reis

As crônicas, objeto desta reflexão, estão distantes, em gênero, das famigeradas colunas de “dicas” de português (entenda-se, padrão). Também não são escritas por um gramático e nem por um professor dos mais conservadores. São crônicas, inicialmente, relacionadas ao tema do futebol, mais adiante enviesadas para outros assuntos, entre eles, veemente, o da língua portuguesa “de primeira água” (na expressão do cronista, 9.2.07).

Neste trabalho, são comentados, sob as lentes de Bagno, Faraco e outros (2004), 15 textos de Eduardo Almeida Reis publicados no jornal Estado de Minas entre os anos de 2005 e 2007, e um texto do cronista na revista Encontro, de circulação em Belo Horizonte. Fernando Brant, em sua coluna semanal, aparece uma vez, apenas para contrastar com o viés de Reis, como se verá.

O cronista e o encantamento pela linguagem

Em diversas crônicas, Eduardo Almeida Reis demonstra uma relação apaixonada com a escrita, expressando entusiasmo e prazer no uso de termos e construções sintáticas que poderiam causar estranhamento ao leitor. No entanto, deste ele cuida muito bem, dando explicações não raro didáticas sobre frases e palavras, bem ao modo de quem ensina, mais do que de quem diverte. Do revisor, no entanto, ele cuida de se prevenir. Mesmo com certo tom de afeto, dá ao profissional do texto a lição sobre tal ou qual forma, incomum, escolhida para expressar o que queria.

No trecho a seguir (da crônica De carrapatos e provas testemunhais), é possível verificar diversos movimentos em direção à linguagem e mesmo aos leitores.

No livro infanto-juvenil que publiquei na década de 80, ousei testemunhar que anu come carrapatos, mas fui contestado pelo revisor técnico, meu amigo, que tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em ácaros de importância médico-veterinária: anu – disse ele – não come carrapatos, depois de examinar o conteúdo estomacal de mais de 300 aves daquele gênero. Nem o anu, nem a garça-carrapateira, ave branca que acompanha as boiadas em nossos pastos. É chamada carrapateira, mas se alimenta de grilos e outros insetos espantados pelos gados que retouçam os capins. Putz! que o verbo retouçar pegou bem à beça. Significa pascer, o mesmo que pastar, como acabo de aprender. (25/9/2005)

Ao que parece, o revisor técnico, ironicamente muito qualificado, “meu amigo”, contesta informação improcedente. Embora tenha parecido acatar a sugestão do revisor técnico, o narrador o qualifica todo o tempo, terminando por se distrair do problema com a revisão e deslumbrando-se com a palavra “retouçam”. O verbo, de uso incomum, merece, logo em seguida, explicação pelo narrador, que passa a “ensinar” o que aprendeu. E esse expediente é utilizado em inúmeras crônicas de Almeida Reis, não apenas no domínio do vocabulário da língua, especialmente em relação a palavras de pouco ou nenhum uso, mas também em relação a significados outros.

Mais uma vez, o narrador emprega palavra rara e passa a explicitar o sentido que ela tem. Mais divertida, no entanto, é a mistura fina entre produção do texto e projeto gráfico do jornal, quando Almeida Reis menciona a diagramação do trecho no alto da página. É curioso pensar que, talvez, o trecho tenha sido escrito depois de o autor conhecer a posição do texto na página.

Imaginemos crime ocorrido numa festa promovida por aquela senhora de Brasília, que afirma ter mil nomes em sua agenda. É promotora de eventos (sic), que não merece ter seu nome citado no alcândor desta página. Perdão pelo alcândor, que aprendi trasantontem e me deu vontade de usar: significa o cimo, o píncaro desta página, menos pelos méritos do cronista, do que pelo fato de a matéria ser diagramada na parte de cima, no cume da página. (25/9/2005)

Ainda preocupado em ser didático, mas também (e principalmente), em brincar com a língua portuguesa, especialmente aquela mais empoeirada, o cronista até mesmo se explica quanto ao uso de termo complicado.

Se é mesmo verdade que o senhor Ronaldo Assis Moreira, o Ronaldinho Gaúcho, não mais pretende atuar pela Seleção Brasileira, dou-lhe inteira razão. Primeiro, porque não se trata de alistamento militar, compulsório, para servir à pátria em guerra contra inimigo soez, o que significa dizer que é inimigo vil, estúpido, reles, bruto, mau caráter. Por que não recorri aos adjetivos mais conhecidos para definir o inimigo da pátria? Explico: porque estava com saudade do adjetivo soez, de dois gêneros, que há séculos não vejo impresso em letra de forma. (9/2/2007)

No trecho, é notável que o narrador não se exima da pesquisa quando seleciona palavra ou expressão. Admite, no entanto, como ponto positivo, que há “séculos” não vê “soez” escrito, ou seja, está a palavra fora de uso, tem baixa freqüência mesmo nos usos escritos (supostamente mais conservadores) da língua, o que um lingüista ou algum estudioso da legibilidade poderia questionar. Para quê complicar? Para fazer graça, para distrair o assunto, talvez respondesse Almeida Reis. O fato é que o movimento surte ao menos dois efeitos quanto ao tema abordado no trecho (neste caso, o fato de Ronaldinho Gaúcho não querer jogar na Seleção Brasileira): dispersar o assunto e fazer rir.

O mesmo acontece em outras crônicas, em exemplos que confirmam a construção sempre semelhante (e eficaz para seus fins) do texto do cronista.

O time da Bolívia tem muita hemácia, muito eritrócito, muito glóbulo vermelho e pouco futebol. Empate justo. Mas há um fenômeno televisivo sobre o qual eu gostaria de trocar idéias com os leitores do ESTADO DE MINAS. É o seguinte: o jogo mostrado no televisor aqui de casa não é o mesmo que narradores e comentaristas vêem no campo. Aquela falta considerada “desleal”, do Galindo no Cicinho, aos 7min do segundo tempo, que todos diziam merecer cartão vermelho, aqui em casa chegou na TV como joelhada do boliviano na região glútea do lateral brasileiro. Ora, joelhada por ali não mata, nem aleija, salvo melhor juízo dos médicos que me lêem. 10/10/2005)

E mais uma coisa: sem essa de guard rail. Os fãs do automobilismo ficávamos no meio-fio das calçadas, com as baratinhas passando chispadas a meio metro da gente. Fazia tempo que eu não via a palavra chispada (corrida veloz, disparada) na mídia. Pois é: às vezes, uma palavrinha esquecida pega bem à beça e é gostosa pra chuchu. Sobretudo de madrugada, quando o sujeito luta contra o sono. (10/10/2005)

Aqui, o leitor, além de ser contemplado com explicações dicionarescas, é respeitado em sua eventual profissão (quem sabe um médico?) e é com quem este narrador vai “trocar idéias”, em um diálogo ao menos virtualmente aberto pelo escritor. A “chispada”, que não aparecia na mídia fazia tempo, assim como “soez”, é redescoberta (diria algum lingüista que “desenterrada”) por Almeida Reis, que se regozija com seu uso.

O cronista prescritivista

O lado “gramático” de Almeida Reis aparece em diversas crônicas. Não raro o narrador qualifica mal tal ou qual uso “popular” ou defende algo sustentado por obras tradicionalmente reconhecidas por seu normativismo e conservadorismo. São várias as demonstrações de apreço à norma culta e também os desabonos a certos falares e escritas. Nesta seara, sim, aparece o revisor, leitor profissional do cronista, que deveria lhe filtrar os escorregões, mas, na maior parte do tempo, figura como o “jovem” que desconhece muito da língua do narrador. O contraste entre o leitor amigo e o revisor (leitor profissional) é evidente:

Em certas culturas de Madagascar, aquela ilha situada do lado de lá do continente africano, fala-se em dotes absurdos de até oito ou nove vacas leiteiras por uma jovem esposa, bonita e prendada. Isto quer dizer que o pai de três moças, bonitas pelos padrões malgaxes, é forte candidato a se transformar em fazendeiro de 27 vacas. Estive para escrever padrões madagascarenses, mas optei por malgaxe "o natural ou habitante de Madagascar", porque conheço o revisor desta bela revista, aliás muito meu amigo, e sei que ele me telefonaria perguntando se, em lugar de madagascarense, o cronista não preferiria malgaxe? E alinhando, a partir daí, a etimologia da palavra desde o francês madécasse, malgache... (fev./2005)

Nesse caso, um revisor amigo que procederia exatamente como diz o narrador. A previsão do cronista é aquela segundo a qual o revisor preferiria o termo mais desconhecido. Amigos, portanto, inclusive nas opções pela linguagem mais complicada. Revisor meio filólogo, dado às diacronias das palavras. De todo modo, também aqui há ensinamentos vocabulares ao leitor e a distração sobre o assunto antes principal, a poligamia na África.

Na próxima seqüência de excertos, surgem conselhos e ordens ao revisor. Notem-se os verbos no imperativo, sempre, e uma representação do revisor inexperiente. Ao narrador, cabe prevenir-se de escorregões do profissional. A preferência pela expressão em desuso e pela construção alheia ao português brasileiro vem justificada pela analogia com bons técnicos de futebol. No terceiro extrato, Dunga vem se colar ao português do Brasil no sentido pior possível, perto de outras línguas portuguesas. O “português de primeira água” é o bom, assim como os falados (!) em Portugal e no Rio Grande do Sul.

Adriano mostrou que tem perna esquerda, aos 26min, e cabeça, aos 28min, fazendo golos muito bonitos. Atenção, jovem revisor: golo é perfeitamente legítimo. É como se diz em Portugal e no Rio Grande do Sul. (5/9/2005)

Insisto na pergunta que tenho feito vezes sem conto (é conto mesmo, jovem revisor): que diabo baixará nos palacianos para que todos tenham aquele sorriso hebetado, bronco, obtuso, apalermado? Seria a proximidade do poder? (4/6/2007)

Lá pela metade do segundo tempo, bela morena, modelo 33, com tudo nos lugares certos, virando-se para mim, foi cruel: “Professor, não sei como o senhor se agüenta”. Genial, não há negá-lo. E o jovem revisor me fará o favor de conservar o “não há negá-lo”, que é português de primeira água, uma espécie de Cristiano Ronaldo do texto, enquanto “não há como negar” é português de nova Era Dunga. (9/2/2007)

Que dizer do narrador Cléber Machado? Bem-apessoado, boa voz, boa dicção, bom filho, bom pai, bom genro, bom marido, honesto, trabalhador, em dia com o INSS e a Receita Estadual, é cidadão exemplar. Narrando Fórmula 1, contudo, é parecido comigo dando aulas de grego clássico. Ambos de dois (conserve, jovem revisor) nada manjamos dos assuntos, ele de automobilismo, eu de grego clássico. Paciência. (10/10/2005)

A história não regista (prefira, jovem revisor) exemplo de tirano, ou de governante eleito, que não tivesse puxa-sacos de montão e a mancheias, chaleiras, bajuladores, babaovos, caçambeiros, capachos, adulões e baboujos. (21/10/2005)

A representação do revisor meio ignorante da língua culta, talvez o profissional muito mais flexível do que supõe Britto (2004), no entanto “jovem”, para o narrador preciosista, aparece junto com o prescritivismo. Primeiro na escrita e na emenda ao trabalho do revisor (ao menos não o do jornal):

Chegando à casa, constatei que não havia entrevista com Gabeira, mas com Millôr. Ótimo: Millôr é gênio. A revisão de Playboy, antes cuidadosa, é que anda uma gracinha. Primeiro, botou Cervantes famoso em 1499, quando o espanhol nasceu em 1547. Depois, inventou e botou na boca do Millôr um certo barão de Cupertin, quando o Pai dos Jogos Olímpicos foi o barão de Coubertin. Erros primários de revisão acontecem, sobretudo na pressa dos jornais diários, mas, numa publicação mensal, pegam mal à beça. (20/9/2005)

Penso nos erros que me escapam. O sujeito escreve, lê, relê, trelê, quatrelê, pentelê, o texto passa pelo revisor, e os errores só aparecem depois de impresso o livro ou a crônica. Já escrevi “por cada escravo” num livro sobre História Econômica do Brasil: porcada. Pode? (20/9/2005)

Deve ser fascinante a interação da memória com a vastidão da minha ignorância. Meia dúzia de neurônios, ligados pelas sinapses, para produzir uma besteira escrita. Andei escrevendo chongas, porque pensei que era assim que se escrevia. Leitor amável advertiu-me sobre o erro. No Houaiss e no Aurélio, efetivamente, xongas é com xis. Mas encontrei a gíria também com cê agá no VOLP da Academia. E tem mais uma coisa: o revisor de texto do meu word aceita chongas e refuga xongas, sublinhada com um traço vermelho. (11/5/2006)

O custo para ter o direito de continuar usurpando é da ordem de R$ 330 mensais, mas tem suas vantagens, como, por exemplo, receber o bilhete que o jovem revisor me fará o favor de conservar nos termos em que foi redigido: “Comunicado urgente: Senhores condominos, pedimos por gentileza que apartir deste mês, não colocarem os cheques nominal por motivos maiores, assim que o banco resolver a situação voltaremos comunicar a vocês. Desde já agradeçemos pela comprêenção. O recibo já se encontra na guarita”. (2/10/2007)

Depois em relação à fala:

Sábado gordo é aquele que precede o domingo de carnaval. Por isso, estive para escrever sábado obeso no título desta crônica. Temi, contudo, que alguém pudesse pronunciar “obêso”, quando a pronúncia correta – de brasileiro que escova os dentes e toma banho todo santo dia, sem exclusão dos dias santos – é obeso, com é aberto. Vá a gente convencer disso alguns médicos, que vivem de prescrever metanfetaminas, quando melhor fariam ensinando ao paciente que a melhor receita para emagrecer é fechar a boca, depois de abrir o é de obeso. (22/7/2006)

Depois do jogo do São Paulo contra o Estudiantes, no Morumbi, um craque paulista foi admirável: “A gente se propomos...” Não ouvi o resto da entrevista e não digo o nome do atleta porque “a gente tem que ser gentis”, como vive repetindo outro craque, dessa vez na arte de engabelar multidões. (22/7/2006)

O leitor deve estar lembrado de que, no mesmo dia, analisei a filosomia de Rooney e informei que tem cara de sociopata para Lombroso nenhum botar defeito. Pausa para pedir ao jovem revisor que conserve filosomia, como dizia o cabo-PM da cidadezinha mineira onde morei. O digno policial metia na cadeia, sumariamente, todo e qualquer forasteiro cuja filosomia indicasse predisposição para o crime. Na manhã seguinte, embarcava o elemento no primeiro trem – o único que passava por lá. Pensei que o cabo fosse uma besta, mas concluí que o burro sou eu, quando encontrei filosomia em Camões. (22/7/2006)

Sob a graça das histórias e dos “causos”, o prescritivismo gramatical da língua padrão (nem mesmo da língua culta). E não apenas a prescrição de regras ou usos “certos”, mas o julgamento feroz de quem, eventualmente, não usa esse “português de primeira água”: o brasileiro que escova os dentes e toma banho diariamente não se confunde com o imundo falante de uma língua eivada de errores; assim como os ouvidos do culto não podem suportar a língua discordante; ou o policial que só deixou de ser besta e burro quando o cronista averiguou a existência de “filosomia” em escritor antigo e consagrado, bem mais do que a maioria. O que se escrevia há quatro séculos parece bem mais acurado do que o que se pode escrever hoje.

O excerto a seguir tem característica exemplar da abordagem da língua portuguesa apresentada nas crônicas de Almeida Reis. Note-se o arsenal empregado pelo narrador na pesquisa teimosa e persistente pela palavra “flexa” escrita com xis. E mesmo que os autores dos livros de consulta estejam “errados”, são abonadores.

Graças aos Flexas cariocas, ainda que viva 100 anos, continuarei escrevendo flexa, antes de me corrigir ou ser corrigido por alguém. O erro tem explicação. Já em 1770, oriundo da Praça de Mazagão, em África, um certo Domingos Gonçalves Flexa estabelecia- se no Pará. No século seguinte, nasceu em Vassouras (RJ) Miguel Arco e Flexa, que seria deputado e diretor de A Gazeta. Ainda outro dia, em São Paulo, o ator Jairo Arco e Flexa comemorava 30 anos de carreira. O sobrenome Arco e Flexa, então, serve para botar mais lenha na fogueira da minha ignorância, pela presença do Arco junto com a Flexa. Mas agora é que vem o melhor da festa. Como sou muito teimoso, fui ao Vocabulário português- latino, do padre Raphael Bluteau, obra monumental, publicada entre 1712 e 1727, certo de que encontraria flexa como flecha. Quebrei a cara. Existe frecha & frechar, remetendo o consulente para frecho & frechar. Portanto, fica estabelecido que flecha é mesmo com cê agá. Eventuais errores, a partir de hoje, correm por conta do revisor de plantão, aliás muito amigo meu. Por fim, devo informar que, de tanto procurar, encontrei flexa, s.f., num dicionário aqui do chatô: no Nordeste, significa “cavalo pequeno e ligeiro”. Abonada por Gastão Cruls, flexa consta do Novo dicionário nacional, do jesuíta Carlos Teschauer. Vai ver que Cruls errou, como eu, mas é abono de respeito. Estamos conversados. (25/7/2006)

1Doutora em Lingüística Aplicada pela UFMG, com formação de graduação em Letras, licenciatura e bacharelado. Professora e pesquisadora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Ex-gerente editorial de várias editoras mineiras, onde trabalhou na coordenação de revisores e de processos de produção de livros. Ex-assessora de cursos de pós- graduação lato sensu em Revisão de Textos e Projetos Editoriais Impressos e Multimídia. E-mail: anadigital@gmail.com

2Na expressão de Luciana Salgado, em Jornada de Editoração na ECA USP, em setembro de 2008.

3Para ter alguma pista disso, consultar Pereira e Reis (2007).

4Edição de textos é termo empregado aqui como sinônimo de revisão de textos. O assunto é discutido em Ribeiro (2007) e em Yamazaki (2007).

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Submetido: 13/10/2008, aceito: 24/11/2008





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