O lado perverso da economia popular solidária: a exploração do capital nas relações de “trabalho solidário”

Rosana Soares Campos, Christiane Campos

Resumo


Embora haja experiências bem sucedidas de Economia Popular Solidária (EPS), assentadas em bases comunitárias, na descentralização do poder e nas relações horizontais de trabalho pelo Brasil afora, há também grupos de trabalho que, sob o discurso popular de trabalho solidário, constroem suas bases em relações verticais de poder e exploração da mão-de-obra. O objetivo deste trabalho foi discutir essas relações verticais no âmbito da Economia Popular Solidária, a partir de um estudo de caso na Oficina e Produção de Artesanato Sustentável Moicato, um grupo de trabalho organizado na comunidade da área de posse do Jardim Goiás I em Goiânia/GO. Foram observadas as relações de trabalho entre os membros do grupo, incluindo a distribuição de receitas e despesas, o poder de decisão e as causas da participação, entre outros aspectos, e verificou-se que, apesar de ser considerado um grupo de EPS, há uma relação tradicional de capital e trabalho, com exploração da força do trabalho. O poder de decisão é centralizado nas mãos de poucos membros, não há divisão dos lucros obtidos, e a maioria dos membros recebe por produtividade. A contribuição deste paper é justamente a de chamar a atenção para este tipo de prática, problematizando a utilização do conceito, do discurso e da configuração jurídica de Economia Popular Solidária por determinados grupos que não aderem aos princípios básicos da EPS.

Palavras-chave: Economia solidária, capital, trabalhador e exploração do trabalho.


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