Governança e gestão de capital social em cooperativas: uma abordagem baseada em valores

Peter Davis, Sigismundo Bialoskorski Neto

Resumo


Este artigo questiona a discussão tradicional que define governança em organizações cooperativistas com base na aceitação da dicotomia existente entre a dimensão social da organização e dos mercados no ambiente de negócios. Analisa-se que a preocupação principal dos gestores profissionais com a gestão da cooperativa como empresa pode impactar a gestão do capital social, impossibilitando o seu pleno desenvolvimento, assim como o reconhecimento desse capital como potencial competitivo real. Assim, princípios de governança cooperativa e gestão, baseados na afirmação da identidade e dos valores cooperativistas, definem e delimitam a função dos gestores da cooperativa, o que poderá ser uma abordagem mais abrangente. Os argumentos são respaldados por evidências oriundas em mercados relativamente dinâmicos e concentrados no Reino Unido e no Brasil, nos quais o modelo cooperativo tem desempenhado um papel marginal. Por outro lado, em um contexto tão desfavorável aos valores da cooperação, a empresa cooperativista pode apresentar vantagem competitiva singular, resultados crescentes e sustentáveis, quando a sua gestão é combinada às melhores práticas de gestão do capital social, do corpo de membros associados e de colaboradores. As cooperativas precisam de uma governança e de uma abordagem de desenvolvimento que incorpore uma estratégia de gestão cooperativista que é de construir relacionamentos mais próximos entre as partes interessadas, evoluindo para a formação de uma comunidade cooperativa “que aprende”. Define-se este processo como Gestão Cooperativista de Capital Social – GCCS. Palavras-chave: governança cooperativa, gestão em cooperativas, gestão de capital social.

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