Avaliação e poder na docência universitária: campos legitimados e saberes silenciados

Maria Isabel da Cunha

Resumo


O professor universitário, por não ter na carreira a exigência de formação profissional para a docência, incorpora os ritos de tradição nos saberes que desenvolve para ensinar. Nesse sentido é vulnerável às influências externas que definem a docência, incluindo as políticas públicas de avaliação. Com essa perspectiva foi desenvolvida uma pesquisa interinstitucional, envolvendo três universidades brasileiras, com o intuito de verificar o impacto dessas políticas, em especial o Exame Nacional de Cursos, sobre a docência. Nelas há uma idéia de qualidade da educação superior bem como uma percepção do que seja um professor de sucesso. Foram entrevistados alunos, coordenadores e professores de 12 cursos de graduação, incluindo licenciaturas e profissões liberais. Os resultados da investigação detectam elementos de impacto das políticas avaliativas sobre as formas de atuação dos professores. Houve, entretanto, variação de resultados de acordo com a natureza dos cursos. Nos de natureza liberal a lógica concorrencial foi mais presente, e nas licenciaturas houve uma centralidade nos processos pedagógicos. Ambos, entretanto são atingidos nas suas subjetividades e tendem a reorganizar suas práticas segundo o parâmetro de sucesso imposto pelo modelo avaliativo, ainda que ele se distancie da educação de qualidade que previamente explicitaram.

Palavras-chave: avaliação institucional, saberes docentes, pedagogia universitária.

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