Indicadores de aceitação e rejeição social em um grupo de professores em formação: a face oculta do preconceito

Vantoir Roberto Brancher, Claudia Terra do Nascimento, Valeska Fortes de Oliveira

Resumo


Os indicadores de aceitação e rejeição sociais são fundamentais ao estudo dos fenômenos de grupos, sendo aqueles que levam uma pessoa a ser aceita ou negligenciada socialmente. Este estudo teve como objetivo investigar quais eram os indicadores de aceitação e rejeição sociais em um grupo de 42 acadêmicas de Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria. O contexto escolhido foi a universidade, visto que ela representa o lugar onde o futuro professor desenvolve sua formação, levando cada sujeito a deparar-se com semelhanças e diferenças em diversos aspectos. Para a coleta de dados, foi escolhida a técnica “votação às avessas”, onde os futuros professores foram instruídos a votar, secretamente, em quem escolheriam e em quem não escolheriam para realizar um trabalho em grupo, fornecendo as respectivas justificativas. Os critérios de aceitação observados dizem respeito às características de amizade e afinidade (N=25; 48%); responsabilidade (N=13; 22%); inteligência (N=08; 14%); e, com igual percentual de ocorrência, as características pessoais de facilidade em resolver problemas e criatividade (N=04; 8%); ser uma pessoa humilde e não interromper idéias dos colegas (N=04; 8%). Já os critérios de rejeição social dizem respeito à dificuldade em aceitar opiniões/convívio difícil (n=19; 38%), ausência de afinidade (n=15; 30%), perfeccionismo e puxa-saquismo (n=14; 28%), superficialidade e irresponsabilidade (n=02; 4%). A partir destes dados, podemos dizer que este é o perfil daqueles que procuram inconscientemente não conviver com as diferenças. A exclusão social neste grupo, por sua parte, está fortemente vinculada aos processos de estigmatização e preconceito, gerando conseqüências tanto em nível grupal quanto individual. Parece-nos óbvio dizer que é da Educação a tarefa intrínseca da crítica, justamente a que leva à reflexão, única capaz de alterar o quadro de ausência de consciência, produtora de estereótipos. No entanto, tal tarefa parece não estar sendo concretizada na formação destes futuros professores. Fica-nos a certeza da necessidade de mudanças profundas na formação de professores!

Palavras-chave: formação de professores, fenômenos de grupo, fatores de rejeição e aceitação social.

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