A distinção entre 'sentir' e 'experimentar' na filosofia moral de Hume

Giovani Mendonça Lunardi

Resumo


Examinamos o que consideramos um problema de interpretação (e, também, de tradução) dos textos morais humianos: a distinção entre “sentir” e “experimentar”. Partimos da suspeita de que exista certo “vício de estilo” interpretativo da filosofia moral de Hume, com insistência na utilização de uma terminologia “empirista”. Tal prevalência estilística implica que os sentimentos morais para Hume dependem, primeiramente, de relações e entidades externas ou de um conhecimento (epistemológico) moral. Em nossa investigação, consideramos que essa “insistência estilística” com o termo “experimentar” e seus cognatos induz o leitor a uma compreensão específica do pensamento de Hume. O leitor visualiza Hume, prioritariamente, como um empirista tradicional, segundo o qual todo o conhecimento, inclusive o moral, é dependente de experiências cognitivas e observacionais. Como alternativa interpretativa sustentamos, de forma contrária, que, ao analisarmos o texto original, percebemos como o mesmo é mais direto na intenção do autor: “sentimos” a aprovação moral e não “experimentamos” a aprovação moral. Isso significa que essa diferenciação entre os termos “experiência” e “sentimentos” é fundamental para capturar a essência do pensamento do filósofo escocês. O termo “experiência” nos leva ao termo “empirismo”, uma expressão nunca utilizada por Hume. Ou seja, a moralidade não é algo que surge da observação ou de um conhecimento (epistemológico) moral, mas é algo que é sentida de uma forma “particular”, “peculiar”, de um “determinado tipo” de dor e prazer imediatos (cf. T 3.1.2.3:510-511 e IEH 8.2.35:145). Consequentemente, é fundamental a fidelidade ao texto original. Em sua investigação com relação aos “fundamentos gerais da Moral” (cf. IPM 1.3:226), ratificamos que a filosofia moral de Hume sustenta que, antes de “experimentar” o bem e o mal morais, nós os “sentimos”. O que é próprio da virtude e do ódio é ser estimável ou odioso, escreve Hume, em “sua natureza ou essência” (cf. IPM 1.6:228).

Palavras-chave


Hume, Moral, Empirismo, Sensibilidade

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