Call for Papers

Vol. 53, nº 3 (set-dez, 2017)


Dossiê:  

Artes e criatividade: identidades e diferenças entre o local e o global

O foco temático do Dossiê incide na abordagem das artes e da criatividade enquanto recursos de afirmação identitária em um mundo cada vez mais global e aberto. Posicionando o debate na relação entre artes e criatividade e no lugar que as atividades artísticas e criativas ocupam em um mundo em que a chamada economia criativa ganha relevância crescente, o Dossiê procura reunir e relacionar uma produção acadêmica diversa e abundante neste escopo pós-colonialista, pretendendo incluir artigos de sociólogos no arco da modernidade globalizada provenientes de matrizes lusófonas, anglo-saxónicas e francófonas.

A invenção e a improvisação artísticas têm possibilitado inúmeras redefinições dos mecanismos de diferenciação e identificação social que caracterizam o mundo contemporâneo - sendo veículos e textos fundamentais de identidade, de pertença e de enraizamento. Este será o principal foco do Dossiê. Deste modo, serão aceites artigos que tratem tanto de mundos, sistemas, cenas, campos artísticos, como os que transitem por outras áreas e eventos nos quais a criação artística esteja agregada e de algum modo identifique, diferencie, hierarquize ou oponha indivíduos, coletivos, espaços sociais, territórios e espaços. Do mesmo modo, serão incorporados artigos que percorram a criação artística nas suas condições de emergência, nos seus fluxos e desdobramentos, bem como dos usos e representações que os atores sociais fazem dela.

Tais questões poderão ser tratadas nos aspectos normativos, disciplinadores ou institucionais que acompanham a construção e estímulo da criatividade por agências do Estado ou movimentos sociais. Favoreceremos, portanto, abordagens teóricas, epistemológicas e metodológicas baseadas em investigação original que interligue a produção/criação artística, a (inter)mediação artística e a fruição cultural, artística e criativa constituintes dos diferentes art worlds. Em síntese, os eixos centrais de abordagem a privilegiar neste Dossiê serão:

(i) A importância das artes e da criatividade como eixos fundamentais de desenvolvimento cultural, socioeconómico e ecológico face à construção de uma sociedade plural e de uma identidade nacional, local, regional, translocal ou mesmo virtual.

(ii) A necessidade de uma reconceptualização das artes e da criatividade na sociedade contemporânea em torno da relação entre criatividade artística e economia criativa num contexto de redefinição e reconstituição de identidades artísticas e sociais.

(iii) As artes e a criatividade como desafios de empreendedorismo e de inclusão cultural, social e económica das populações, das suas matrizes de pertença, mas também de grupos, de segmentos de interesses particularizados.

(iv) As artes e a criatividade como ferramentas fundamentais de gestão da alteridade, das diásporas e das diferenças sociais, económicas e culturais à escala planetária num mundo em mudança.

(v) As artes e a criatividade como recursos de redes, parcerias e diálogos inter e pluriculturais e instrumento fulcral de política cultural contemporânea.

(vi) As lógicas do trabalho artístico e criativo, seus processos e modalidades de implementação contemporânea num contexto de desafios contínuos sob o impulso das redes sociais, nas novas tecnologias de informação e comunicação, da sociedade em rede.

(vii) Os diálogos criativos e (des)encontros entre os artistas e as comunidades, formas atuais de resistência artística, de artivismo, de participação juvenil em novos movimentos sociais, de contracultura e de movimentações underground.

Organizadores

Antoine Hennion (Centre de Sociologie de l’Innovation, École des Mines – CNRS, França), Augusto Santos Silva (Universidade do Porto, Portugal), Lígia Dabul (Universidade Federal Fluminense, Brasil), Paula Guerra (Universidade do Porto, Portugal).

Prazo final para submissões: 30/06/2017

 

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Vol. 53, nº 2 (maio-ago, 2017)


Dossiê: 

As redes depois dos levantes e na crise da globalização: a autonomia entre restauração e comum

 

O ciclo de levantes que começou em 2011 com as primaveras árabes mostrou a outra face das redes: no capitalismo flexível e cognitivo não havia apenas fragmentação e precarização do trabalho, mas também singularidades capazes de autonomia. As “redes sociais” desenvolveram, com incrível sincronia, novas formas de exploração e novas formas de emancipação. O capitalismo contemporâneo, organizado em redes (globais), que geram um valor intangível (cognitivo) e mobilizam a própria subjetividade (por meio da relação de débito e crédito), precisa da autonomia do trabalho. Essa autonomia apareceu sob outra luz, nos levantes democráticos da multidão na Praça Tahrir, as acampadas espanholas do 15M, as tentativas do Occupy Wall Street, a Praça Taksim em Istambul, na Turquia. Em 2016, foi a vez do movimento Nuit Debout, em Paris, e na França como um todo. No Brasil, em junho de 2013, a multidão foi às ruas protestar contra as condições de vida nas metrópoles e ocupou Câmaras e Assembleias Legislativas. Em 2015 e 2016 a multidão continuou nas ruas, dessa vez no meio de uma crise múltipla que tornou definitivamente ininteligível a luta política e social.

A “multidão” do trabalho das redes mostrou sua capacidade destituinte e por um momento chegou até a inovar o marco da representação, com vitórias eleitorais em Madri, Barcelona e Zaragoza na Espanha, por listas municipalistas de novo tipo. Contudo, esse longo ciclo - que pode ser definido como grande crise da globalização - é hoje atravessado por dois movimentos tremendamente contraditórios: por um lado, uma restauração generalizada e em alguns casos extremamente violenta (Egito, Turquia e na Síria guerra) que desenha um horizonte novo e inquietante de guerra fragmentada; pelo outro, um aprofundamento e expansão do capitalismo cognitivo no terreno das redes, entre Sharing Economy e Smart Cities, das quais Uber e Airbnb são os “casos de sucesso” mais conhecidos. A “restauração” aparece de forma nova, como terreno não apenas de guerra (como na Síria e no Iraque), mas de um novo tipo de guerra por franchising (em Paris, Nice, Orlando, Munich, Istanbul, etc.). A exploração aprofunda sua dimensão “colaborativa” de captura do comum, da subjetividade. Assim, se por um lado a multidão e o comum aparecem como possibilidades que permitem as singularidades questionarem as mediações inter-sistêmicas e as instituições de negociação, abrindo-se para as diferenças imanentes e suas aproximações, por outro a autonomia aparece presa e esmagada no meio desses dois dispositivos e não consegue dar consistência aos conatus constituintes, produzindo nova institucionalidade. A crise da globalização, depois da crise dos subprime, se abre como um abismo.

A proposta desse dossiê é, pois, de pensar as práticas, as estratégias e os conceitos de multidão, comum, redes, ator-rede diante dos desafios colocados pelos diferentes cenários da crise da globalização.

Organizadores

Giuseppe Cocco  (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Lucas Luz (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), 

Prazo final para submissões: 10/03/2017

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Vol. 53, nº 1 (jan-abr, 2017)

Dossiê: Mercados culturais

Os mercados culturais são figurações amplas, que conjugam e põem em relação direta ou indireta de oposição e complementariedade diferentes agentes, cujos interesses, valores e projetos podem colidir ou se acomodar em determinadas circunstâncias. Nos últimos quinze anos, o Brasil tem experimentado uma expansão regular dos seus mercados simbólico-culturais, como o mercado de conteúdos audiovisuais brasileiros; editorial; de games; moda, design e artesanato; festas populares, entretenimento e lazer; arte e equipamentos culturais urbanos. Durante esse interregno, os principais agentes que dão vida a esses mercados tiveram parte das suas funções redefinidas, seus interesses alterados e tensionados, seu escopo de ação complexificado, as classificações conceituais borradas, as oportunidades de ganhos econômicos dilatadas e as possibilidades de experimentação elevadas. Esses agentes correspondem a: 1) empresas culturais privadas (micro, pequenas, médias e grandes organizações); 2) empresas não culturais, públicas e privadas, que, por meio das leis de incentivo fiscal, patrocinam atividades e eventos artístico-culturais, além de manterem em funcionamento equipamentos culturais urbanos, como teatros, cinemas, museus, centros culturais e galerias; 3) os profissionais criativos e trabalhadores da cultura, das artes, do entretenimento, da comunicação e do lazer (divididos em segmentos multifacetados, diferentes competências criativas e clivagens de remuneração); 4) os consumidores, cujas práticas de consumo simbólico são determinadas por duas grandes variáveis, renda e escolaridade, e pelo processo de construção social do gosto e da sensibilidade; 5) as políticas econômico-culturais, formuladas e executadas pelas instituições governamentais e os agentes estatais, como as políticas dirigidas à economia criativa. Com efeito, esta proposta de dossiê busca atrair trabalhos de pesquisa que possam fornecer novas compreensões e interpretações acerca dos processos de estruturação, expansão, criação, profissionalização, consumo, lutas e tensão envolvendo os mais diferentes mercados culturais brasileiros contemporâneos.

Organizadores

Milene Silveira Gusmão (Universidade do Sudoeste da Bahia), Mariella Pitombo (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), Rodrigo Manoel Dias da Silva (Universidade do Vale do Rio dos Sinos)

Prazo final para submissões: 30/10/2016




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