A estrutura sacrificial do compadrio: uma ontologia da desigualdade?

Marcos Lanna

Resumo


Este estudo explicita e critica a conjunção entre análises simbólicas e funcionais do compadrio. Mostra-se que o compadrio não é apenas uma instituição religiosa ou de parentesco, que reforce desigualdades supostamente pré-existentes, mas que se constitui numa estrutura que cria tais desigualdades. Entende-se o compadrio como uma estrutura a partir da descrição de circuitos de reciprocidade. Compreendida como circulação entre pais biológicos e espirituais de uma criança, a ser retribuída pela “graça”, ela implica assimetrias e desigualdades e também remete a uma ontologia do social, a qual é fundada na circulação de valores não mercantis e no que Sahlins (2008) designa “estrutura elementar da vida política”. Observa-se que a reciprocidade se liga ao aspecto sacrificial do dom da criança e de outros tipos de retribuição, como os implicados nas promessas católicas. Finalmente, verifica-se a relevância deste tipo de análise para futuros entendimentos de outras prestações e categorias, frequentemente tidas como puramente econômicas como a categoria de trabalho.

Palavras-chave: reciprocidade, desigualdade, compadrio, sacrifício.

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