A norma-padrão (e seus outros nomes) na avaliação da produção escrita

Francisco Eduardo Vieira

Resumo


Este artigo reflete sobre as noções de norma culta, norma-padrão e modalidade escrita formal, na tentativa de estabelecer um diálogo produtivo sobre o tema com os professores de português, sobretudo aqueles envolvidos no ensino e na avaliação da produção de textos escritos. São problematizados alguns procedimentos que tendem a ocorrer na avaliação da produção de textos escritos, quando o olhar se volta para os aspectos gramaticais dos textos, baseado em regras gramaticais obsoletas. Para tanto, são discutidos os sentidos nem sempre claros e por vezes controversos que podem ser atualizados a partir dos termos “culta” e “padrão”, intercambiáveis quando se atenta às provas de redação das edições do ENEM de 1998 a 2014. Em seguida, é feita uma análise qualitativa de uma redação escolar que apresenta alguns aspectos morfossintáticos particulares e efetivamente em uso pelos brasileiros “cultos”, em suas práticas cotidianas e monitoradas de escrita. Tenta-se mostrar que, muitas vezes, a própria tradição gramatical já legitima tais aspectos em suas prescrições, de modo que sua possível interdição, em contextos de produção escrita e formal, como o ENEM, decorrerá muito mais da ideologia da norma-padrão inalcançável, que deságua no ranço da norma “curta” e hipercorreta.

Palavras-chave: norma-padrão, avaliação, produção escrita.


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