Aprendizagem da gramática do português escrito: algumas reflexões a partir da aquisição da língua falada

Luciene Juliano Simões

Resumo


A discussão retoma a noção de gramática internalizada a partir de dados de fala infantil analisados no que respeita à expressão de sujeitos gramaticais. Procura-se demonstrar que a fala da criança, desde cedo, é sensível a regras gramaticais extremamente sutis, respeitando de maneira cada vez mais próxima as características da fala dos adultos em seu meio. Isso é relevante para a reflexão sobre a aquisição da escrita quando se trata de pontos da gramática do português do Brasil com relação aos quais há diferenças marcantes entre fala e escrita, pois o processo de letramento, nesses casos, implicará o contato com novas regras gramaticais. Chama-se atenção, para enriquecer tal discussão, para a diferença entre a fala de crianças brasileiras e de crianças portuguesas, cujos usos da língua, já desde cedo, se assemelham a usos que, no Brasil, só se verificam na escrita. Propõe-se uma reflexão, a partir desse quadro, sobre a importância da convivência da criança com a língua escrita e da atividade discursiva da criança no mundo letrado, uma vez que, na fala, apenas dessa convivência – interacionalmente constituída e socialmente relevante – dependeu a aquisição.

Palavras-chave: aquisição da linguagem, gramática internalizada, sujeitos pronominais.

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