A consciência histórica na interpretação do lugar arquitectónico

Teresa Madeira da Silva

Resumo


Este texto procura clarificar e ampliar as leituras das obras e dos lugares arquitectónicos, no campo disciplinar da arquitectura. Tomando como pressuposto que a análise e descrição formal das obras arquitectónicas (por vezes através da decomposição em partes dos edifícios geradores dessas obras) não é suficiente para a sua leitura, propomos, através de um conjunto de reflexões associadas aos conceitos de espaço, de tempo e à consciência do papel dos intérpretes, explorar outras formas de leitura e interpretação do mesmo. O enfoque geral desta investigação assenta na filosofia hermenêutica contemporânea, nas figuras de Hans-Georg Gadamer e Paul Ricoeur, e no facto de a interpretação ou a realização de uma obra ou de um lugar arquitectónico ser o resultado da acção humana. Para Gadamer, o homem finito, o homem histórico vê e compreende sempre a partir do seu ponto de vista, localizado num determinado tempo e num determinado espaço, não podendo colocar -se acima da relatividade da história para procurar um “conhecimento objectivamente válido” (Gadamer, 2004, p. 30). Este texto evoca, assim, na interpretação do lugar arquitectónico, a dimensão finita e relacional do homem e o seu enraizamento histórico, centrando o campo da interpretação num outro paradigma em relação ao que habitualmente se pratica. Assim, são introduzidas, como dados a ter em conta a leitura dos lugares, dimensões afectas aos seus intérpretes, normalmente excluídas de qualquer leitura. 

Palavras-chave: lugar, lugar arquitectónico, arquitectura e hermenêutica, modelo de interpretação.


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Os croquis utilizados no banner (da esquerda para a direta): Pavilhão do Brasil na Expo 70 (Osaka, Japão) e Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) do arquiteto Paulo Mendes da Rocha©.

Projeto gráfico: Jully Rodrigues



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